Não jogo!
Não jogo!
Qual a diferença entre não querer entrar em quadra pela seleção e não participar da vida política nacional? Parece que em nossa Terra, participar, dar tudo de si só existe no esporte. Fato triste para a carreira de uma atleta. A atitude da atleta Iziane, não foi o primeiro, mas mostra uma triste realidade, não só do esporte, mas da vida do brasileiro.
Por não concordar, ou se entender com o treinador, a atleta se nega a entrar em quadra, em um torneio que dá a tão sonhada vaga olímpica. Quantos atletas não queriam estar em seu lugar? Eu mesmo, apesar de ser do sexo masculino, estar acima do peso e ter meus fantásticos um metro e sessenta e oito centímetros, amo o basquete e o esporte e adoraria estar lá. Ajudando, dando suor por tal vaga. Até mesmo para torcer depois assistindo a Pequim/2008.
Assistir um evento como a Olimpíada é fascinante. Lembro-me em 2000, quando realizei daqui mesmo, trabalho de cobertura para a Rádio Capital/AM e para o saudoso Diário Olímpico , um tablóide do ex- Diário Popular , hoje, Diário de S.Paulo . Sinto saudade de trabalhar com Nelson Nunes, Carlão, Marcelinho, Marisa, Moacir Ciro, Prof. Manoel entre outros fantásticos profissionais que muito me ensinaram.
Ficávamos das 22 às 8 ou 9 da manhã. Assistia tudo e lia sobre tudo. Aquela vantajosa oportunidade de várias informações simultâneas e diferentes das Agências de Notícias. Era e foi muito bom. Agora, recordo também da ansiedade da redação pela manchete da primeira medalha de ouro do Brasil. A cada dia que passava, os Jogos ficavam mais sofridos. Nem Robert, nem o judô, nem o vôlei, nem o hipismo, nem ninguém! Todas as nossas apostas foram em vão. Até o cavalo do Pessoa parecia querer tirar uma da nossa redação. A tristeza foi enorme. Sem medalha, o que pareceu lindo e diferente, na abertura, com a ainda bela e encantadora Olívia Newton John, agora, no encerramento da competição era uma chatice só.
Era difícil, mas necessário, acompanhar os aborígenes felizes com o desempenho e organização. Lembro esses fatos, para tentar mostrar a dor que é para um cronista esportivo assistir, acompanhar uma negação, seja por qual motivo for, para a camisa verde e amarela. É complicado. Talvez a falta de estrutura e assessoria profissional da atleta e do treinador. Não discuto de quem é a razão. Mas será que ela também se rebelaria pela implantação de um novo imposto ou pela surra de profissionais da imprensa nos quartéis clandestinos nos morros, que saudade do Jamelão,
do Rio de Janeiro?
Comparação brega; diria minha filha; mas, nosso país está cheio de heróis e falsos brasileiros em todas as casas e não somente nas quadras e campos. Buscar vitórias e medalhas deve começar dentro da escola. Então a minha medalha de ouro vai para os professores da Rede Estadual, que querem algo a mais para tentar mudar, mudar? O nosso futuro, se isso já não for tão tarde. E o que a Iziane tem a ver com isso?
Pode até não ter nada a ver, mas pode ser uma simples relação de educação. A DOR É GRANDE, POIS NESTE PAÍS, COM CERTEZA, ELA PODERÁ EXERCER A MINHA PROFISSÃO, MAS EU, QUE TAMBÉM COM CERTEZA, JAMAIS TERIA SUA ATITUDE, NUNCA, E QUE PENA, TEREI A OPORTUNIDADE DE, PELO MENOS EM UMA QUADRA, DEFENDER O MEU PAÍS. Sorte dele e de você torcedor!






