"Não importa o meio, e sim a força da marca", diz Ana Amélia, da Gazeta do Povo

Entrevista da vice-presidente do jornal Gazeta do Povo, Ana Amélia Lemos

Atualizado em 10/07/2011 às 13:07, por Luiz Gustavo Pacete.

Entre 2010 e 2011, foram mais de R$15 milhões investidos no que o jornal Gazeta do Povo considera sua maior reformulação em 92 anos de existência. Após ter de lidar com as dificuldades do jornal impresso, a direção percebeu que o futuro era fortalecer a marca. E foi isso o que aconteceu, independente da plataforma, seja papel, internet ou tablet, é a marca que prevalece.

Desde 2008, o maior jornal do Paraná convive com a palavra mudança. Que inicialmente pode até ter assustado a muitos, mas que para a vice-presidente do Grupo Paranaense de Comunicação (grpcom), Ana Amélia Filizola, é sinônimo de manutenção de empregos e continuidade de uma marca forte. Além de estar a frente do jornal que foi dirigido por seu pai Francisco Cunha Pereira, um dos empresários mais conhecidos e respeitados do estado, Ana também possui papel atuante e por meio da ANJ, o que a coloca constantemente em eventos da associação, discutindo o futuro dos jornais.

Nesta entrevista dada ao Portal IMPRENSA, Ana conta um pouco do processo de reformulação do jornal, fala das dificuldades iniciais do processo de integração e dos primeiros resultados. Além de deixar claro que o futuro do meio jornal não está vinculado a plataforma, mas sim à força de sua marca. "Nosso objetivo é a ampliação da marca em qualquer plataforma. Indo até o leitor, seja no móbile, no on-line ou na banca. O importante é que seja a mesma Gazeta".

Crédito:Divulgação Ana Amélia Filizola, vice-presidente do Grpcom IMPRENSA - O que vocês definem como integração na essência?
Ana Amélia - É aquela em que o diretor de redação, o coordenador, o chefe de redação e os editores pensam em todas as plataformas. A ideia é não ter mais responsáveis por jornal ou digital, mas um profissional que seja responsável pelas duas plataformas. Devemos ter um pensamento estratégico, porque quando tenho duas cabeças, tenho duas personalidades diferentes. Somente no momento da operação, na hora de fechar, é que temos duas equipes, mas a parte de conteúdo é a mesma.

IMPRENSA - Como funcionou esse processo?
Ana Amélia - Em 2005, aprovamos. No final de 2008, solidificamos. Depois disso, o primeiro passo foi unir fisicamente as redações e depois a equipe comercial que vendia internet foi agregada a equipe do comercial impresso. Um trabalho fantástico de integração. Optamos por integrar o comercial para que os vendedores do on-line tivessem compressão do todo e tendo a ajuda dos especialistas em digital.

IMPRENSA - Como identificou que o jornal corria risco se não aderisse ao digital?
Ana Amélia - Nosso foco sempre foi o futuro da Gazeta do Povo, além da TV e das rádios. A essência está nessas três plataformas. Então, eu pensava como que o jornal poderia sobreviver no futuro. Decidimos que o caminho mais correto seria a extensão da marca ao digital.

IMPRENSA - De que maneira vocês levaram as mudanças para os colaboradores?
Ana Amélia - Foram várias conversas. Tentamos também mostrar que se a força da Gazeta se limitasse somente ao impresso corríamos risco. Eu sempre disse que a marca Gazeta do Povo deveria ser de continuidade, e não simplesmente criarmos uma nova marca.

IMPRENSA - E qual o atual momento do processo?
Ana Amélia - Não existe uma conclusão. Estamos em uma nova etapa. A redação já está fisicamente integrada. Paralelo a isso, estamos buscando uma boa estratégia para o iPad. Primeiro porque somos vanguarda nessa plataforma. Somos o primeiro no Paraná, desde fevereiro de 2011. Só que queremos que nossa estadia no iPad seja diferente, estamos trabalhando em um aplicativo especifico. Se os sistemas comprovarem, queremos que o iPad seja uma expansão da Gazeta.