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"Não foi um ataque à imprensa", diz Cristiano Dias, do Estadão, sobre assalto na África do Sul

"Não foi um ataque à imprensa", diz Cristiano Dias, do Estadão, sobre assalto na África do Sul

Atualizado em 12/04/2010 às 13:04, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

"Não foi um ataque à imprensa", diz Cristiano Dias, do Estadão , sobre assalto na África do Sul

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*Atualizada às 20h58

O jornalista Cristiano Dias, enviado especial à África do Sul pelo jornal O Estado de S.Paulo , foi atacado por nove homens armados na tarde do último sábado (10), no centro de Johannesburgo.

Reprodução
Cristiano Dias

"Fui atacado por nove homens armados que me jogaram ao chão. Levaram documentos e dinheiro, mas me deixaram a vida", escreveu o jornalista em matéria ao Estadão.com.br.

Diante do ataque, Dias questionou em seu texto se o país sul-africano está pronto para receber, dentro de sessenta dias, a Copa do Mundo de Futebol.

O jornalista avalia que os conflitos sociais do país - resultado da proximidade de eventos controversos que rememoram o apartheid e o debate sobre segregação racial - tornam "o clima pesado", reprimindo perspectivas de que as festividades típicas de uma Copa invadam as ruas sul-africanos. "O Mundial enriqueceu poucos. Ou, como me disse um sujeito na fila de um banco:'A Copa está chegando, mas e daí?'", descreveu Dias.

"Ser ou não jornalista não tem relevância nessa hora"

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Dias contou que, no momento do ataque, estava acompanhado de um motorista sul-africano e que nenhum policial foi avistado. "A polícia daqui não é exatamente a mais eficiente do mundo. Para você ter uma ideia, o BO é feito em uma folha de xerox, com as letras quase sumindo".

Para o jornalista, a abordagem violenta não ocorreu por se tratar de um profissional de imprensa, mas pelo fato de Dias ser estrangeiro e potencialmente vulnerável naquele ambiente. "Não foi um ataque à imprensa, mas a um homem branco que tinha uma mochila nas costas. Ser ou não jornalista não tem relevância nessa hora", contou o repórter que, sem documentos e dinheiro, não pode deixar seu hotel.

Em sua avaliação, não há possibilidade de traçar parâmetros entre a violência na África do Sul e a do Brasil, que sediará a Copa do Mundo de 2014. "A violência no Brasil tem um caráter muito diferente, está muito mais ligada ao tráfico. É uma questão social, mas menos complicada (por incrível que pareça). Aqui é uma questão racial (muito mais que social). Metade dos negros não tem emprego. É muita desesperança e desespero, falta de perspectiva. Além disso, é possível caminhar pelas ruas de Ipanema, da Pompéia, do centro de Belo Horizonte, com relativa segurança. Aqui, não. Jamais nove homens armados lutariam comigo por 3 minutos na Avenida Rio Branco, centro do Rio, em plena luz do dia. Ou na Avenida Paulista. Ou na Afonso Pena, em Belo Horizonte", pontua o jornalista.

Mesmo após o incidente, Dias afirma sentir-se confiante para "caminhar" pelas ruas de Johannesburgo, mesmo que a cidade não esteja preparada para receber turistas. "É certeza de ser assaltado", contou o jornalista quando indagado sobre a posibilidade de um passeio sem acompanhantes.

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