"Não foi um ataque à imprensa", diz Cristiano Dias, do Estadão, sobre assalto na África do Sul
"Não foi um ataque à imprensa", diz Cristiano Dias, do Estadão, sobre assalto na África do Sul
"Não foi um ataque à imprensa", diz Cristiano Dias, do Estadão , sobre assalto na África do Sul
Por*Atualizada às 20h58
O jornalista Cristiano Dias, enviado especial à África do Sul pelo jornal O Estado de S.Paulo , foi atacado por nove homens armados na tarde do último sábado (10), no centro de Johannesburgo.
| Reprodução |
| Cristiano Dias |
"Fui atacado por nove homens armados que me jogaram ao chão. Levaram documentos e dinheiro, mas me deixaram a vida", escreveu o jornalista em matéria ao Estadão.com.br.
Diante do ataque, Dias questionou em seu texto se o país sul-africano está pronto para receber, dentro de sessenta dias, a Copa do Mundo de Futebol.
O jornalista avalia que os conflitos sociais do país - resultado da proximidade de eventos controversos que rememoram o apartheid e o debate sobre segregação racial - tornam "o clima pesado", reprimindo perspectivas de que as festividades típicas de uma Copa invadam as ruas sul-africanos. "O Mundial enriqueceu poucos. Ou, como me disse um sujeito na fila de um banco:'A Copa está chegando, mas e daí?'", descreveu Dias.
"Ser ou não jornalista não tem relevância nessa hora"
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Dias contou que, no momento do ataque, estava acompanhado de um motorista sul-africano e que nenhum policial foi avistado. "A polícia daqui não é exatamente a mais eficiente do mundo. Para você ter uma ideia, o BO é feito em uma folha de xerox, com as letras quase sumindo".
Para o jornalista, a abordagem violenta não ocorreu por se tratar de um profissional de imprensa, mas pelo fato de Dias ser estrangeiro e potencialmente vulnerável naquele ambiente. "Não foi um ataque à imprensa, mas a um homem branco que tinha uma mochila nas costas. Ser ou não jornalista não tem relevância nessa hora", contou o repórter que, sem documentos e dinheiro, não pode deixar seu hotel.
Em sua avaliação, não há possibilidade de traçar parâmetros entre a violência na África do Sul e a do Brasil, que sediará a Copa do Mundo de 2014. "A violência no Brasil tem um caráter muito diferente, está muito mais ligada ao tráfico. É uma questão social, mas menos complicada (por incrível que pareça). Aqui é uma questão racial (muito mais que social). Metade dos negros não tem emprego. É muita desesperança e desespero, falta de perspectiva. Além disso, é possível caminhar pelas ruas de Ipanema, da Pompéia, do centro de Belo Horizonte, com relativa segurança. Aqui, não. Jamais nove homens armados lutariam comigo por 3 minutos na Avenida Rio Branco, centro do Rio, em plena luz do dia. Ou na Avenida Paulista. Ou na Afonso Pena, em Belo Horizonte", pontua o jornalista.
Mesmo após o incidente, Dias afirma sentir-se confiante para "caminhar" pelas ruas de Johannesburgo, mesmo que a cidade não esteja preparada para receber turistas. "É certeza de ser assaltado", contou o jornalista quando indagado sobre a posibilidade de um passeio sem acompanhantes.
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