"Não foi por dinheiro que voltei a falar com o Milton Neves", diz Roberto Avallone
"Não foi por dinheiro que voltei a falar com o Milton Neves", diz Roberto Avallone
Ele está de volta. Sempre irreverente e apaixonado pelo Jornalismo Futebol Clube, Roberto Avallone retorna a crônica esportiva no melhor estilo: no Rádio. Na equipe de esportes dos 1.040/AM, da Rádio Capital - que eu já tive o privilégio de trabalhar em três ocasiões, em 2000, 2002 e 2007. Avallone comanda o programa "No Pique", às 18 horas, de segunda a sexta-feira. No estúdio principal, próximo à Avenida Paulista. Batemos um papo sobre sua carreira, futuro e muito mais. O jornalista, com quem trabalhei na Gazeta/AM, em 1995, se mostrou mais leve e cheio de projetos para o amante do esporte.
Convido você internauta a viajar neste papo agradável, na íntegra, com um dos maiores nomes do jornalismo esportivo brasileiro: Roberto Avallone!!!!
Chammas - Adorava seus textos no JT, lembra?
Roberto Avallone - É, eu tinha uma coluna chamada "Jogo Aberto", no alto de página, no JT. Ganhei três vezes o troféu da ACEESP.
Chammas - Como tudo começou?
Roberto Avallone - Comecei minha carreira no mundo esportivo com o Luis Carlos Ramos - atual coordenador de Jornalismo da Rádio Capital/AM - ele que me levou para o mundo esportivo. Primeiro para o "Última Hora" - jornal extinto - e depois me levou para o Jornal da Tarde - onde fui chefe de reportagem e depois colunista. Fiquei 23 anos no JT. E fui para a Gazeta e fiquei 20 anos na Fundação Casper Líbero. Havia comprado um terreno e precisava pagar. Não tinha jeito, tinha que trabalhar e arrumei outro emprego.
Chammas - Você ficou caracterizado em ser um jornalista do "Mesa Redonda", antes apresentado por Milton Peruzzi. Comentei na Universidade, que iria te entrevistar, uma aluna perguntou: Então o senhor vai encontrá-lo na Paulista? Ou seja, ainda lembrou de você na Gazeta.
Roberto Avallone - Ainda?
Chammas - Quando eu saí da Gazeta, fiquei triste. Você sente falta do "Mesa Redonda"?
Roberto Avallone - Foi um período marcante em minha vida. Entrei na Gazeta como comentarista. Depois fui para a chefia de esportes, me tornei gerente de esportes e não sei o motivo, já não havia o "Mesa Redonda". O presidente da época da Fundação Casper Líbero, Constantino Cury - já falecido - me pediu para recriar o "Mesa Redonda" e eu
recriei tentando fazer um pouco estilo JT, bastidores. Menos bate-papo, com polêmica com os lances mais polêmicos da rodada e chegamos a bater a Rede Globo por 40 minutos. São aqueles 40 minutos de glória. A Globo na época tinha no horário o "Festival Charles Chaplin". Maravilhoso! Um belíssimo festival, mas era cult. Como o "Mesa" era popular, a gente pegava os jogadores na hora...
Chammas - Não havia as assessorias de imprensa.
Roberto Avallone - ...o Corinthians ganhou do São Paulo de um a zero e o gol e foi uma polêmica incrível. O gol estaria impedido. Naquela noite levamos o Neto - que marcou o gol - o Zetti - que tomou o gol - e um diretor do São Paulo que estava reclamando - e o diretor do Corinthians que estava defendendo o lance. Foi um auê, que chegou a
dar 10 pontos de audiência. Lembro também da final inacabada entre Corinthians e Palmeiras em 1999. O Corinthians foi campeão. Chegamos a dar 13 pontos de audiência. E o domingo às emissoras não davam muita importância para a programação noturna, horário dos paulistanos comerem pizza. E o "Mesa" foi responsável também pelo fato das emissoras darem mais atenção para ao domingo à noite. Eu acho que foi também pioneiro nisso. Foi um sucesso. Foi marcante o "Mesa Redonda" e fiquei na Gazeta 20 anos. Depois trabalhei na REDETV, onde fiz o "Bola na Rede" e fui para a Rede Bandeirantes onde fiz o "Show do Esporte Interativo", que também era uma mesa redonda.
Chammas - Você sente que muitos da crônica gostariam de estar no comando do "Mesa"?
Roberto Avallone - Não sei, mas todo mundo quer comandar. Mas sei que o "Mesa" lançou muita gente. O Milton Neves foi do "Mesa", Wanderlei Nogueira, o Chico Lang que virou o Chico "Nostradamus" Lang. (Hoje na Rádio Capital, Avallone chama o comentarista Bruno Filho de o "Profeta", tentando resgatar este sucesso que ele criou no "Mesa"),
criávamos os personagens. Lancei o Kleber Machado como narrador. Era repórter e tinha jeito como narrador. Várias mulheres, para ver o outro lado do esporte. Débora Menezes, Rejiane Richter, Vânia Westefal e Mariana Godói. Foi feito um bom trabalho na Gazeta.
Chammas - Hoje, como você analisa a crônica esportiva, após 8 meses afastado da mídia? Aliás, acho um absurdo um nome como você ficar 8 meses afastado do mercado. Você chegou a pensar nisso?
Roberto Avallone - São coisas que acontecem. Já havia passado pela Gazeta, Rede TV!, Bandeirantes, fui chamado por uma emissora e não gostei da proposta...
Chammas - Da proposta ou do programa?
Roberto Avallone - Da proposta. Participei de alguns programas na TV. Do "Cartão Verde", da Cultura, do "Rock Gol", da MTV, e até da "Praça é Nossa", já que tem o "Porpetone" que me imita, foi lá o original e tratei um pouquinho da minha saúde, que eu tive alguns problemas de saúde.
Chammas - Foi isso que te levou a sair da Gazeta?
Roberto Avallone - Não, não foi isso, não. Acho que fiquei 20 anos da Gazeta e cumpri um ciclo. E agora pintou a Rádio Capital, achei um desafio legal, um projeto interessante. Mas, tem algumas sondagens, não vou falar de quem, por que eu quero conciliar Rádio com TV. Eu vou voltar para a TV, mas não vou abandonar o Rádio.
Chammas - E projetos, qual o sonho do Avallone, o que você ainda não fez e vai fazer?
Roberto Avallone - Nos meus planos estão: televisão, Rádio, fazer um blog ou site. Meu filho é publicitário e tenho uma empresa de comunicação com ele e ele está providenciando já a criação de um site.
Chammas - Demorado, não?
Roberto Avallone - É, mas a culpa é minha. Na Bandeirantes, eu tinha o programa "Show de esporte interativo" e tinha também o da manhã.
Chammas - É cansativo.
Roberto Avallone - Não só cansativo, mas o problema é administrar o tempo. Mas, você tem razão. Hoje o profissional tem que ser multimídia, não pode jogar todos os ovos em uma cesta só. Meus planos: Televisão, Rádio, site e ministrar algumas palestras.
Chammas - O Chammas já tentou levar o Avallone várias vezes para dar palestrar, mas não deu...
Roberto Avallone - (rs)
Chammas - Formato de programa. Você falou, que ficou desde maio fora da mídia. O que falta hoje para o consumidor esportivo? Você tem procurado levar alguma idéia?
Roberto Avallone - Eu não tenho procurado, não é meu perfil. Você sabe que o salário depende muito da sua valorização no momento. A televisão é um veículo de massa indispensável. Agora o Rádio me agrada pela velocidade, você pode brincar bastante. Não gostaria de sair de nenhum desses veículos. Afirmo, estou no rádio, vou voltar para a televisão e vou voltar a escrever também. Já escrevi algumas colunas para a Folha de S.Paulo nesse tempo, e vou voltar a escrever também. Tenho muitos planos, se eles serão consumados ou não, vamos ver.
Chammas - Avallone, quando eu estava na Gazeta, meu programa terminava, começava o seu. E eu percebia um Avallone diferente do da TV. Isso em 1995.
Roberto Avallone - Boa memória.
Chammas - Sentia um Avallone diferente no Rádio do Avallone da TV. Você foi jogado em uma fogueira, você foi obrigado a fazer e você não queria fazer a Rádio Gazeta?
Roberto Avallone - Não! É que a televisão me absorvia bastante. Então eu tinha que descer para o quarto andar...
Chammas - Mas, agora está pior, você na Capital tem que pegar um belo trânsito, ou ir de helicóptero para outra TV que você pensa em ir.
Roberto Avallone - Mas eu moro aqui perto... Você tem razão. Eu me desenvolvi em Rádio na Rádio Bandeirantes, em 2002, levado pelo Fernandinho Vieira de Melo. Eu era comentarista oficial do José Silvério. Ainda estava na TV Gazeta. Era o "Esporte e Notícia" era das 11:30 até uma da tarde. Me deram liberdade e eu pude brincar bastante e não só brincar, como também mostrar conhecimento. Você falou em formato, acho que o ideal é o que a gente fazia no "Mesa Redonda" que tinha: informação, debate e humor. Eu sou fã, eu gosto muito de teatro e de cinema. Sou fã de um ator, já falecido, Vittorio Gassman, italiano. Ele fez o "Exército de Brancaleone", 1966, e "O Profeta", 1968, era humor, mas não o humor escrachado. Aqui, na Rádio Capital, criamos o Profeta(Bruno Filho), e o Profetinha (Bruno Bernardi), que seria o discípulo do Profeta. É um pouco de fantasia e
de imaginação. E isso você tem noção e é claro que vem do seu temperamento.
Chammas - Não é fácil fazer isso.
Roberto Avallone - É show! E isso é show! Você pega o cinema italiano, aliás, anda em falta. Você tinha toda uma irreverência.
Chammas - Hoje está em cartaz o "Festival Fellini".
Roberto Avallone - O Fellini tem duas fases. A primeira foi mais prático, "Os boas vidas". Aí virou fantasioso demais. Eu prefiro tipo Vittorio Gassman, que trata a vida com mais ironia, trata a vida com mais irreverência, se não fica muito chato, não é Chammas?
Chammas - O cinema italiano tem também o Roberto Benini, de "A vida é Bela".
Roberto Avallone - É verdade, mas me lembro do "Profeta" do Gassman, quando ele está no carro e a mulher começa a buzinar na cabeça dele e
ele fala: -Basta! Basta!
E vai para a montanha. Abandona tudo. Depois de um tempo ele, atingido pelo consumismo, volta para a cidade e enfrenta tudo aquilo. Já de barba ele abre um restaurante chamado, "O Profeta", quer dizer, entrou na roda viva de novo. Acho uma ironia saudável.
Chammas - É o Roberto Avallone da crônica esportiva?
Roberto Avallone - Não sei se é o Roberto Avallone, acho que eu copiei muito mais o Gassan e ele não me copiou. Ele nunca viu um programa meu (rs).
Chammas - Como está hoje o mercado. Quem são seus concorrentes? Eu trabalhei três vezes na Capital e sempre ela sempre está entre os primeiros. Mas hoje, qual é a meta do Avallone?
Roberto Avallone - Não estou preocupado com isso. Eu estou preocupado em fazer um bom trabalho. Aí o resto é conseqüência. Já tive o ponto eletrônico, a luta pelo IBOPE, e aquela pergunta: quanto está dando? Quanto está dando? Nossa! É de minuto em minuto, isso atrapalha demais. Até se desconcentra. O ideal é você tentar fazer um bom trabalho, queira ou não, nós somos regidos pelo IBOPE, pois todo mundo liga para o IBOPE.
Chammas - Mas isso na televisão. No Rádio é diferente. Você pega as emissoras como Capital, Globo - líderes de audiência - mas necessitam de um grande âncora para ter grandes anunciantes, não importa só audiência, você será cobrado por esse lado. Roberto
Avallone - Na Gazeta não tinha tanto essa cobrança. É lógico que todo mundo cobra. Havia uma orientação em fazer um bom trabalho que o resto era conseqüência. Se você ficar ligado só nos números e com a comercialização, você acaba não sendo autentico. Você não consegue fazer o seu trabalho fluir. Então estou tentando entrar em nova fase, de fazer o meu melhor e seja o que Deus quiser.
Chammas - Vamos pegar os âncoras esportivos. Sempre o público acompanha as grandes brigas. Você com o Milton, Milton com o Juca, Kajuru, etc. O que é isso, Stress? Estrelismo?
Roberto Avallone - Não, não sei. Eu realmente já briguei muito na minha vida.
Chammas - Cansou? Você tinha razão da briga com quem?
Roberto Avallone - Cansei. Hoje estou em outra fase. Na fase de me preocupar com o meu trabalho e não mais com brigas. Stress zero! Tá!
Chammas - E o mundo hoje? Os Estados Unidos, as eleições, os nossos Hermanos da América do Sul?
Roberto Avallone - O que me espanta, já que falamos de modernidade, a economia do Brasil não vai mal. Na minha opinião faz tempo que a economia não ia tão bem como agora. A venda de carros. Mas o que me espanta, não sou jogador da bolsa, mas investi um pouco meu dinheirinho na Bolsa, em renda variável. E o que me espanta é como a
globalização chegou. Que a recessão nos Estados Unidos, incidi diretamente na queda, ou no avanço da bolsa aqui, ou alguma coisa na China. Não se pode mais ver o Brasil como fato isolado tem que ver dentro do contexto da globalização. O crédito imobiliário nos Estados Unidos, olha o que deu nas bolsas do mundo! Então acho que tudo é uma
coisa interligada e a economia do Brasil vai bem e se vai bem a economia o resto vem como conseqüência.
Chammas - O que me deixa preocupado é que ontem soube que o Maluf será candidato a prefeito. São sempre os mesmos. Marta, Maluf, Erundina, Alckmin.
Roberto Avallone - Mas o que importa é quem vai ganhar. Quem? O Kassab? Ganha ou Alckmin ou a Marta, são os favoritos.
Chammas - Já pensou entrar para a política e ser candidato?
Roberto Avallone - Uma vez pensei, faz uns quatro anos, mas não vale a pena. Eu não teria paciência. Meu ídolo era John F. Kennedy.
Chammas - Agora temos um John Kennedy negro.
Roberto Avallone - Não sei se vai emplacar, não sei se ganha.
Chammas - Se ganhar ele leva? Se levar, termina?
Roberto Avallone - Vão ter que deixar entrar. O Kennedy terminou?
Chammas - Não!
Roberto Avallone - Ai que está. Muitas vezes você paga pelo idealismo. Não era um idealista? Ele podia ter uma vida aventureira, podia gostar da Merilym Monroe. Enfrentou a segregação racial, a guerra fria.
Chammas - A segregação religiosa.
Roberto Avallone - Não acredito muito em política, Chammas, você acredita?
Chammas - Não! Tento acreditar no ser humano.
Roberto Avallone - A partir do momento que você assiste a um filme como "Tropa de Elite" e "Cidade de Deus", isso para falar do Brasil, você relembra a história de Nova Iorque, não sinto uma evolução nos princípios. Embora a economia vá bem, em um lugar ou em outro, não nos Estados Unidos, ainda sim sinto que o ser humano tem que evoluir, agora, como? Não sei.
Chammas - E por falar em evoluir, o que você achou da parceria entre Pelé e o Ricardo Teixeira?
Roberto Avallone - Uma parceria comercial.
Chammas - A grana une as pessoas? A grana uniu você e o Milton Neves? Vocês fizeram um comercial juntos, ao mesmo tempo na Gazeta e o Milton a Bandeirantes e vocês não se falavam. Foi o dinheiro que os uniu? Uma bela jogada de Marketing. Os dois ganharam projeção.
Roberto Avallone - Não. Não foi grana. Acho que foi uma promoção Nestlê, A Brahma também e não estávamos brigados. Você está querendo dizer que nos voltamos a nos falar por causa da grana? Não! Quanto as minhas questões pessoas, todas já estão resolvidas. Se você analisar o mundo. Vendo o cinema, você já assistiu o "O Informante" ?
Chammas - Tipo "Obrigado por fumar"?
Roberto Avallone - Não. O "Informante". O que aconteceu na América do Sul, quase saiu uma guerra, o tráfico de drogas? Então quando você assiste aos filmes "Cidade de Deus" ou "Tropa de Elite" choca ainda, e você quer acreditar em um ser humano mais perfeito, melhor. Sem agressividade, sem tantos homicídios.
Chammas - Bárbaros.
Roberto Avallone - Bárbaros. Então eu acredito mais do que em política, mas na tentativa da evolução do ser humano.
Chammas - Agora o Avallone fica um tempo fora da mídia, sai de campo e o maior palmeirense da história tem a oportunidade de ficar secando o Corinthians que caiu? Que olho, hein, Avallone? Fora da mídia, o Avallone ficou secando o Corinthians?
Roberto Avallone - Sempre fui Jornalismo Futebol Clube. Fora do ar eu sempre fui Palmeirense. No ar eu sou imparcial. E o Palmeiras também caiu.
Chammas - É verdade. Isso ajuda a moralizar o futebol?
Roberto Avallone - O que tem que fazer o Corinthians para subir é ganhar no campo, como ganhou o Palmeiras. O Palmeiras ganhou no campo, foi campeão e voltou para a Série A. E não tenho dúvida que o Corinthians vai ganhar, melhor que o CRB vai ser. Vai subir, vai ficar entre os quatro. O Corinthians vai dar muita força para a Série B e teremos dois campeonatos muito empolgantes. Nós mudamos do pato para o ganso. Nós falamos da evolução do ser humano, eu acredito e acredito que algo está para mudar, ou que vá mudar. Acredito que a indignação popular está maior do que antes. Você acredita nisso também?
Chammas - Tem algumas coisas, o problema, Avallone é que o poder continua sempre o mesmo. Hoje um aluno me perguntou na aula...
Roberto Avallone - O que ele perguntou?
Chammas - Professor, a gente pode mudar o mundo?
Roberto Avallone - E o que você respondeu?
Chammas - Você tenta mudar as coisas que está do seu lado, que você é capaz de mudar? Você muda seu relacionamento em casa, com seu amigo ou seu inimigo, ou com o cara que você não conhece? Se cada um começar a mudar a si, quem sabe a gente consiga mudar o mundo.
Roberto Avallone - Olha, você sabe que você tirou a palavra da minha boca. Acho que se você começar a mudar as coisas no seu espaço, o macro espaço se transforma.
Chammas - Não sei se respondi da melhor forma.
Roberto Avallone - Não! Acho que você respondeu muito bem. Você sabe, eu sou um cara meio desligado. Eu às vezes pegava meu cigarro e jogava sem ser na lixeira, minha namorada pegava e jogava no lixo. Não acredito em grandes missões, missões proféticas. A missão maior é você fazer dentro do seu espaço. Então concordo plenamente com você. Se
você fizer dentro do seu espaço e todo mundo fizer, o mundo será melhor.
Chammas - Agora para finalizar. Se os diretores do Corinthians e presidente foram punidos, não serão um espelho para a população, já que o futebol é a paixão do povo?
Roberto Avallone - O futebol tem que ser sempre investigado e cuidado de uma maneira geral, não estou falando do Corinthians, já que tivemos exemplos em outros clubes, rola muita grana e tem que ser fiscalizado. Mas, até nisso está melhorando. Não existia o Código de Defesa do Torcedor. Antigamente nada era punido, agora há punição.
Chammas - O Kapez se aproveitou do futebol?
Roberto Avallone - Olha, eu gosto muito do Kapez. Foi o único que teve coragem na época, me lembro muito bem deste acontecimento. Foi em 1995. Foi uma final de juniores, Palmeiras e São Paulo. Foram tantas pauladas, pior que a Revolução Francesa, tal a violência. Bem que a Revolução teve princípios democráticos...
Chammas - E esse princípios da ignorância.
Roberto Avallone - O Kapez foi, enfrentou as torcidas, fechou algumas torcidas então houve uma conseqüência do trabalho dele...
Chammas - Não sou contra ele, só acredito que ele foi oportunista.
Roberto Avallone - Não! Acho que ele teve um papel preponderante na briga contra a violência das torcidas uniformizadas. Agora se ele foi premiado pelo seu trabalho, isso é uma outra coisa e todo mundo quer ser premiado pelo seu trabalho, Chammas.
Chammas - Agora, manda uma mensagem para o nosso internauta.
Roberto Avallone - Mando uma menasagem até aproveitando o que conversamos: que cada um faça o seu melhor dentro do seu espaço, com princípios, com ética e respeitando o ser humano. Acho que só assim o mundo vai caminhar para uma solução melhor.
Chammas - Obrigado.
Mais Roberto Avallone, acompanhe os 1040 da Rádio Capital.






