"Não faz mais sentido o papel concorrer com a web", diz Raquel Balarin, editora do Valor Online

"Não faz mais sentido o papel concorrer com a web", diz Raquel Balarin, editora do Valor Online

Atualizado em 08/04/2009 às 15:04, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

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O jornal Valor , um dos maiores veículos de noticias econômicas do país, já nasceu com seu braço online. Lançado em maio de 2000 em versão impressa e conteúdo disponível na internet, o portal era gerenciado por uma empresa terceirizada, responsável pelas questões de tecnologia, parcerias e publicidade.

Divulgação
Raquel Balarin
Em setembro do ano passado, mesmo mês em que o banco americano Lehman Brothers - tema constante de pautas para o jornal - quebrou, o site voltou a ser administrado pelo Valor e agora apresenta, além de um layout mais limpo e diferenciado, a versão impressa do jornal que poderá ser folheado pelo leitor. O site passa a oferecer, ainda, um serviço de consulta a fundos de investimento.

Após as alterações, a editora do Valor Econômico Online Raquel Balarin fala ao Portal IMPRENSA sobre o posicionamento do jornal, o objetivo do novo formato e a interação entre assinantes e internautas.

IMPRENSA - Qual o objetivo do novo layout do site?
Raquel Balarin -
É dar ao leitor, logo de cara, as informações mais importantes na área de economia, finanças e negócios. Nesse sentido, uma alteração com a retomada do site foi a de acrescentar uma área de destaques. Outro objetivo do novo formato é levar ao leitor análises de qualidade. Foi por isso que levamos para a página principal nossos colunistas. Assim, no mesmo lugar, o leitor pode encontrar as informações de qualidade e credibilidade do jornal impresso, associadas aos últimos acontecimentos e às análises de profundidade e relevância. Contemplamos também os serviços, acrescentando cotações de papéis da bolsa, indicadores, conversor de moedas e uma área de fundos de investimento interativa, que permite ao leitor criar seus rankings.

IMPRENSA - No que o site favorece o assinante do jornal?
Raquel
- O assinante, que já recebe seu jornal de manhã com notícias exclusivas e com análise dos fatos do dia anterior, pode ao longo do dia se atualizar sobre o que há de mais importante no cenário econômico. Além disso, pode acompanhar seus investimentos em bolsa ou seus fundos, fazer pesquisas de matérias anteriores. Em breve, poderá folhear o jornal na internet. Trata-se do jornal digital, que está sendo feito em parceria com a IdeaValley. Essa será uma importante ferramenta para atingir assinantes em cidades do interior ou de estados em que a distribuição do jornal não é feita pela manhã.


IMPRENSA - O novo formato pode ser uma forma de atrair novas assinaturas?
Raquel
- Definitivamente. Hoje, o canal internet já é o mais importante em atração de novas assinaturas.

IMPRENSA - Ele foi baseado em algum portal estrangeiro?
Raquel
- Estamos trabalhando em um projeto que pretende difundir a marca Valor em todos os meios, seja jornal, internet ou celular. Isso nos fez pesquisar muitos sites estrangeiros. No atual, apenas alguns poucos elementos desses sites foram considerados, como a ideia de levar já para a página principal um gráfico interativo da bolsa, que permite ao leitor acompanhar a evolução do Ibovespa, das cinco maiores altas e baixas da bolsa, os principais indicadores e a evolução das principais moedas. Um dos sites estrangeiros de economia que utiliza gráfico em sua página é o Wall Street Journal .

IMPRENSA - Como você analisa essa interação entre mídia impressa e digital?
Raquel
- Essa interação é imprescindível. Empresas de comunicação em todo o mundo já começam a trabalhar o conceito de que são produtoras de conteúdo, não importando de qual maneira ele é distribuído (seja por meio impresso ou digital). Os jornais, especialmente, têm de mudar. Não faz mais sentido o papel concorrer com a internet. O ideal é que ambos se complementem, que os meios digitais trabalhem com maior ênfase no fato e os meios impressos, na análise, na interpretação. Essa é uma mudança cultural importante e difícil, mas da qual não escaparemos. O leitor só tem a ganhar. Tem a chance de acompanhar em tempo real o que acontece no mundo e pode no dia seguinte, no seu café da manhã, aprofundar-se sobre aquilo que leu na internet no dia anterior. Além disso, o meio digital permite que o leitor se expresse, que se sinta parte dos acontecimentos, ao mesmo tempo em que o jornal em papel tem o mérito de (ainda) organizar melhor as informações.