"Não é só a floresta que está indo embora; as pessoas também", diz Martinelli sobre Amazônia

Pedro Martinelli ilustrou o Ensaio da edição de setembro da Revista IMPRENSA [271, pág. 78], e durante a entrevista falou sobre o futuro de

Atualizado em 09/09/2011 às 10:09, por Jéssica Oliveira*.

É bem verdade que a Amazônia já existia muito antes de Pedro Martinelli levar suas lentes até lá, mas muita gente passou a conhecê-la através do olhar do fotógrafo. Martinelli é conhecido pelo retrato detalhado e, acima de tudo, humano que fez da região, sem preconceitos e sem restrições. Em seus livros "Panará a Volta dos Índios Gigantes" (1998); "Amazônia o Povo das Águas" (2000); "Mulheres da Amazônia" (2004) e "Gente X Mato" (2008), é possível ver a história e as mudanças da Amazônia nos últimos 40 anos.

As paisagens, os índios, o desmatamento e os detalhes da Amazônia foram misturadas a vida de Martinelli de tal modo que, aos 61 anos, mais da metade de sua vida foi dedicada a região. Mas, infelizmente, essa relação de dedicação, registro e acompanhamento - quase de pai e filha - talvez esteja para acabar. Martinelli ilustrou o Ensaio da edição de setembro da Revista IMPRENSA [271, pág. 78], e durante a entrevista falou sobre o futuro de sua carreira.

Pedro Martinelli Rio Juruá, AM - 2001 O fotógrafo disse que está pesquisando quais serão seus próximos cliques e que, por enquanto, "não tem projetos específicos na Amazônia". Além disso, o descaso das autoridades e da sociedade com a região tornou a "cena insuportável" para ele. "Vivi mais da metade da minha vida no mato, conheço o Brasil todo e acompanho a desgraça na Amazônia desde os anos 1970. Agora não é só a floresta que está indo embora, as pessoas também estão. Há problemas urbanos muito sérios. Me sinto impotente", diz.
Martinelli é muito reconhecido por sua cobertura da Amazônia e, apesar de não confirmar novos trabalhos na região, sua carreira ainda tem muito a mostrar. Em seu novo livro, "Martinelli, Pedro", recém-lançado pela editora Terra Virgem, é possível ver um recorte diferente de sua carreira e dos diversos temas cobertos pelo fotógrafo. A curadoria e edição são de Roberto Linsker, única pessoa que recebeu carta branca para mexer em seu acervo. Linsker aproximou fotos que, a princípio, não tinham nada em comum, mas que, lado a lado, "dialogam", unindo situações, épocas e realidades diferentes, trabalho que Martinelli já fez muito ao aproximar do público o que estava "escondido" na Amazônia.
Agora, depois de mais de 40 anos de carreira, o menino que cresceu no meio do mato e se encantou com o que descobriu ali, nos deixa a dúvida sobre o que suas lentes nos reserva em um futuro próximo. Esperamos.
*Com supervisão de Ana Ignacio

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