"Não é processando jornalistas que se evitam escândalos", diz repórter ligado ao VatiLeaks

Em entrevista à agência de notícias Ansa, o jornalista investigativo italiano Gianluigi Nuzzi falou sobre os processos judiciais que acumula por denunciar a corrupção na igreja católica e defendeu a atuação dos profissionais de imprensa.

Atualizado em 23/02/2016 às 12:02, por Redação Portal IMPRENSA.

notícias Ansa, o jornalista investigativo italiano falou sobre os processos judiciais que acumula por denunciar a corrupção na igreja católica e defendeu a atuação dos profissionais de imprensa.
Crédito:Reprodução/Twitter Gianluigi Nuzzi criticou perseguição a jornalistas
"Não é processando os jornalistas que se evitam os escândalos. Na verdade, é afastando os mercadores do templo, os que se beneficiam de confiança, que se evitam os escândalos e os temas de investigações jornalísticas. Não é rompendo o espelho que as imagens e os fatos desaparecem", destacou.
Nuzzi ficou mundialmente conhecido ao publicar, em 2012, "Sua Santidade: As Cartas Secretas de Bento XVI", obra escrita com base em correspondências pessoais do pontífice alemão Joseph Ratzinger e do arcebispo italiano Carlo Maria Viganó, membro do Governatorato.
Agora, com a publicação de "Via Crucis", livro escrito também com documentos sigilosos, o repórter é alvo de um processo judicial por obter arquivos referentes a reuniões secretas do Papa Francisco. "Se o Papa se sentiu perturbado com meu livro, sinceramente eu fico feliz e entendo sua reação dura e firme, como chefe de Estado [em abrir um processo judicial]. Mas acredito que, mais que com meu livro, Francisco se decepcionou ao descobrir como vivem e o que fazem certos 'faraós" da Igreja'", ponderou.
A obra de Nuzzi trata casos de extravagância e desvio na Cúria Romana baseado em documentos, gravações, e-mails, atas de reuniões e imagens originadas dos escritórios da Santa Sé. Além dele, o repórter Emiliano Fittipaldi lançou o livro "Avaricia", que também revela irregularidades na igreja e uma resistência interna contra as reformas propostas pelo pontífice.