"Não é o diploma que faz a diferença", diz Ana Estela de Sousa Pinto, da Folha
"Não é o diploma que faz a diferença", diz Ana Estela de Sousa Pinto, da Folha
"Não é o diploma que faz a diferença", diz Ana Estela de Sousa Pinto, da Folha
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| Divulgação/Folha |
| Ana Estela |
Para Ana Estela de Sousa Pinto, editora de Treinamento da Folha de S.Paulo , o fato de o diploma não ser mais obrigatório não tira o mérito das faculdades, nem faz a formação dispensável. Acompanhe.
Portal IMPRENSA - Na sua opinião, a decisão do STF é correta?
Ana Estela - Sim. Acho que o diploma não deve ser obrigatório, o que não implica desvalorizá-lo. Não sou contra o diploma nem contra as faculdades de jornalismo. Sou a favor de dar liberdade aos aspirantes a jornalistas, para que não fiquem acorrentados a cursos medíocres e possam escolher a formação que melhor lhes convém. Os bons cursos continuarão formando bons jornalistas.
É importante ter claro que a história prova que o diploma não é indispensável, não só no exterior --na maioria dos países ele não é obrigatório-- mas também no Brasil, onde se fazia jornalismo de qualidade antes da obrigatoriedade decidida na ditadura.
Também é importante ver que há vários exemplos de como a obrigatoriedade do diploma não blindou o jornalismo contra erros, falhas éticas etc.
Ou seja, não é o diploma que faz a diferença, mas a formação dos jornalistas e capacidade da sociedade de fiscalizar a qualidade dos veículos.
IMPRENSA - Quais as principais consequências para a academia e para o mercado?
Ana Estela - Acho que serão positivas. A academia terá que discutir muito seu novo papel e se aprimorar. E cursos que sobreviviam apenas das algemas impostas pela obrigatoriedade terão que melhorar drasticamente ou acabarão fechando, o que também é positivo.
O mercado dos grandes veículos, que investem em qualidade, continuará tentando contratar os melhores, como já fazia. E quanto mais liberdade tiverem os contratados, mais capacidade de lutar por melhores salários (não ser obrigado a se formar em jornalismo permite aos aspirantes a jornalistas mais perspectivas profissionais. Quem for bom terá mais cacife para brigar por salários e condições de trabalho).
Acho que pode haver um impacto negativo em veículos que não se preocupam com qualidade --aquela história que circula por aí, de contratar a faxineira etc. Mas, do jeito que está o mercado hoje, com dezenas de milhares de formados em jornalismo todos os anos competindo por algumas centenas de vagas apenas, quem queria contratar gente fraca a preço de banana já conseguia. Não era o diploma que impedia isso.
IMPRENSA - Você acredita que as empresas continuarão a priorizar os formados?
Ana Estela - Sim, pelo menos as empresas que investem em qualidade. Ponha-se no lugar de um editor: se você precisa contratar um repórter ou um redator, vai procurar aquele que melhor resolve seu problema. O que é mais inteligente, mais preparado, mas também o que já tem noção do que precisa fazer. Quase ninguém hoje em dia tem tempo ou disposição para ensinar o beabá da profissão. O candidato a um posto nos grandes veículos tem que saber o básico, ou não terá chances, a não ser em casos excepcionais.
IMPRENSA - Como a Folha de S.Paulo deve proceder?
Ana Estela - A Folha deve continuar fazendo o que sempre fez: tentando atrair os mais inteligentes, mais talentosos, mais preparados. O que importa é a qualidade do profissional, que se traduz em qualidade do jornal.
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