"Não é função da imprensa fazer investigação", afirma Dilma sobre denúncias da "Veja"

Em entrevista coletiva, a Presidente da República disse que não vai comentar escândalo da Petrobras com base em informações da mídia.

Atualizado em 19/09/2014 às 17:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira (19/9), em Brasília (DF), a Presidente da República Dilma Rousseff falou sobre a reportagem da revista Veja desta semana que traz informações exclusivas sobre o escândalo da Petrobras. "Não é possível que a revista Veja saiba de uma coisa e o governo não saiba quem é que está envolvido", disse. E acrescentou: "Não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informações".
Crédito:Divulgação Presidente diz que confia em informações de juízes, promotores e delegados, não em denúncias da imprensa
Segundo O Globo , Dilma pediu ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acesso ao depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que foi publicado pela Veja . A Presidente, porém, teve o pedido negado.
"Quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Não tenho porque dizer que tem alguém envolvido, porque não reconheço na revista Veja e nem em nenhum órgão de imprensa o status que tem a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo [Tribunal Federal]. Não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informações. Agora, ninguém diz que a informação é correta. Não prejulgo, mas também não faço outra coisa: não comprometo prova", completou Dilma.
A Presidente e candidata à reeleição pelo PT condenou o vazamento de informações sigilosas na mídia, dizendo que não toma atitudes com base em "disse me disse". "Quem é que descobre as práticas de corrupção no Brasil? A PF. Sempre que vazam informações que estão em investigação, sabe o que acontece? Compromete-se a prova. O MP denuncia e não pode ser condenado, porque a prova foi comprometida", continuou.
Dilma disse ainda que as informações da Veja não podem ser comprovadas pois, como a reportagem deixa claro, o inquérito e os depoimentos no caso estão criptografados e guardados num cofre. "Isso significa que nenhuma das falas é garantida. Ninguém sabe o que é" afirmou, dizendo que tem um "imenso compromisso contra a impunidade".
"Recebo informações de juiz, de procurador e de delegado da PF. Sou a favor de investigar, nada colocar para debaixo do tapete. Acho que o maior mal atual é a impunidade", declarou.