“Não adianta, fico amiga das pessoas em três minutos”, conta Monalisa Perrone
Vencedora quatro vezes consecutivas do prêmio “Troféu Mulher IMPRENSA”, Monalisa Perrone é mais uma vez finalista na categoria "Repórte
Atualizado em 31/01/2014 às 11:01, por
Camilla Demario.
Assumidamente passional, Monalisa começou sua carreira no rádio, mas foi na Band que estreou como repórter de TV. Em 1999, foi contratada pela a Globo e, desde então, fez centenas de reportagens para os principais telejornais da emissora. Ela confessa que até hoje se emociona com as histórias que ajudou a contar.
IMPRENSA – A indicação para o prêmio é um reflexo do seu trabalho em 2013. O que mais gostou de fazer? Monalisa Perrone – Em 2013, os dias foram tensos, mas fiz para o "Jornal Nacional" uma série sobre plano de saúde. Era para ser apenas sobre as regras dos planos, mostrando a deficiência do sistema, mas conheci os dramas das pessoas, a situação grave de famílias e um contato pessoal grande com elas. Depois de 22 anos de profissão, são as pessoas que me tocam, não a pauta, tanto que fiquei amiga do pai de uma jovem que precisava de um transplante de medula. Quando entrei na casa dele, eu não estava muito bem, estava triste, e então vi que os meus problemas não eram nada. Quando os entrevistados se expõem, é uma experiência tão rica que não existe em outra profissão.
Mesmo com tantos anos de profissão você continua se envolvendo emocionalmente? Eu choro, sou retardada (risos). Aliás, a gente só consegue se manter no jornalismo, na rua, por tantos anos (não falo de quem fica na redação) se sempre tiver olhos e coração para as pessoas, porque a rotina é muito pesada e, se não for assim, você não consegue.
Como mantém o distanciamento profissional das histórias que cobre? Com algumas pessoas vou ter contato para sempre. O distanciamento da notícia é bom ter, mas eu não gosto (risos). Talvez seja um defeito (na verdade é um defeito, um chefe já me disse), mas eu não consigo. Claro que se precisar narrar uma desgraça, ao vivo, eu tenho o lado da prática, mas não quero aprender a me distanciar. A passionalidade, às vezes, atrapalha. Preciso encontrar um equilíbrio, mas não adianta, eu fico amiga das pessoas em três minutos.
O que você espera de 2014?
Vai ser um ano de aprendizado. Depois das manifestações de 2013, assim que passar a Copa começa a cobertura de eleição e o que espero ver é o que eu procuro: a observação [por parte da população] daqueles que se colocam para nos representar. Vamos ter surpresas e eu quero ser porta-voz dessas novidades, por isso estou otimista. Já cobri muitas eleições e depois de tantos anos estou novamente sentindo um frio na barriga.
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