“Não acredito que o paywall vá funcionar para todos os meios”, diz editor do "WSJ"

Apesar de atuar como vice-editor executivo do The Wall Street Journal, um dos veículos mais bem sucedidos quando o assunto é o sistema de cobrança paywall, Raju Narisetti defendeu em sua participação no 9º Congresso Brasileiro de Jornais, que aconteceu segunda (20/8), e terça (21/8), em São Paulo, a existência de alternativas que podem ser mais bem sucedidas e que não envolvam cobrança.

Atualizado em 22/08/2012 às 15:08, por Luiz Gustavo Pacete.


Narisetti destacou que o WSJ tem sucesso em seu formato de cobrança pelo perfil das informações que produz e o tipo de público disposto a pagar. Entretanto, ele acredita que cobrar por assuntos considerados “commodities” pode espantar leitores. “Em outros casos, as pessoas vão buscar a informação em outras plataformas, no Google e no Facebook. Ou seja, vão dar um jeito”, destaca.

Divulgação Raju Narisetti O jornalista indiano destacou que, em geral, os modelos com base no paywall são negativos. “Estamos dizendo para o leitor que ele tem 10 matérias para ler de graça e quanto mais ele ler, mas perto está de pagar”.

Como alternativa a tal modelo, Narisetti destaca uma forma em que exista fidelidade, ou seja, quanto mais a pessoa ler e participar do site, mais benefícios ela deve ter. “Eu aplaudo o The New York Times por correr o risco de cobrar e ter êxito. Sei que no mundo existe muito o desejo e a necessidade de copiar a experiência bem sucedida do NYT , mas eu quero desafiar os veículos que não queiram fazer a mesma coisa. Não acredito que o modelo funcione para todo mundo, cada empresa terá que decidir”.
O executivo frisou que o "conteúdo commodity" não deve ser cobrado e que somente criando experiências aos leitores será possível reter audiência. “Ter um conteúdo excelente não é suficiente, 80% do que é produzido nas redações atualmente é commodity. Algo que você encontra em outros lugares de graça. Furos, ideias, análises e coisas exclusivas representam uma parcela muito pequena para que as pessoas paguem por isso”.
Futuro?
Narisetti destaca que enxerga mais otimismo no Brasil do que nos Estados Unidos. Ele vê boa vontade das empresas de mídia em buscar alternativas no digital. “Não tem jeito, o público impresso não vai crescer mais, se tiver sorte se estabiliza. Se não, vai diminuir”. Baseado nesta realidade ele provoca para o papel do jornalista na sociedade. “A premissa básica é que temos que redefinir o papel do jornalista, mas a maioria de nós não pensa nisso porque no impresso existe um departamento de marketing e circulação. Já no mundo digital faz parte da rotina do repórter pensar como divulgar seu conteúdo”.
O profissional destaca também a importância de aproximar programadores e profissionais de tecnologia da redação. “É importante que exista diálogo, não existe mais essa ideia de que aquilo é melhor para a redação, isso é melhor para os programadores. O importante é discutir o que é melhor para o leitor”. Em sua mensagem final, Narisetti, apesar de ter destacado que o paywall não é uma alternativa viável a todos, disse que cada empresa deve buscar se adequar a sua realidade.