"Nada muito positivo ou alegre". Essa é a definição dos traços de Andrei Muller

"Nada muito positivo ou alegre". Essa é a definição dos traços de Andrei Muller

Atualizado em 20/03/2008 às 17:03, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

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Não é de hoje que as discussões em torno das crises e problemas do mundo estão à flor da pele. Assim como também não é de hoje que Andrei Muller desenha inspirado em temas fortes, como a angústia, a morte, o sofrimento e a loucura. "Nada muito positivo ou alegre. Minha inspiração é tudo aquilo que eu não entendo e venho buscando", afirma.

Muller começou a desenhar ainda quando criança, "na época do jardim de infância". No entanto, diz que não sabe muito bem porque iniciou seus traços. "Quando fiquei mais velho, era a melhor coisa pra matar o tédio das aulas...escapismo, talvez".

Andrei Muller

Mesmo assim, o desenhista afirma que tem uma preferência entre seus desenhos: aqueles que envolvem a litografia, técnica de gravura com a criação de marcas sobre uma matriz, com a utilização de um lápis gorduroso. Para Muller, elas o remetem a uma fase bastante intensa de sua vida, "de muitas descobertas".

Andrei Muller

E é ao seguir essa linha introspectiva que o faz assumir que tudo o que realiza artisticamente é completamente egoísta. "Faço por mim mesmo". Apesar disso, Muller afirma que fica muito feliz quando alguém que não o conhece se interessa pelo seu trabalho. "É bastante gratificante alguém se identificar e ver alguma relevância no que eu produzo".

Andrei Muller

No seu egoísmo assumido, Andrei Muller diz que prefere desenhar quando está no seu lugar. "Meu atelier , escutando minhas músicas, com o meu computador e minhas coisas".

Mesmo cheio de pronomes possessivos, o desenhista diz que se está produzindo para alguma exposição, ele se dedica irremediavelmente, afinal "preciso ter o mínimo de disciplina e freqüência de produção", brinca.

Andrei Muller

O que mais lhe encanta em seu trabalho é a parte da produção dos traços, ou seja, a fase de criação e desenho. Quando questionado sobre qual é a parte, então, que mais lhe irrita, o desenhista volta a assumir sua personalidade forte e declara: "Toda essa burocracia inerente a qualquer trabalho...Mas é a vida", finaliza.