“Na TV só há uma oportunidade de se fazer entender”, explica fonoaudióloga da Globo

Atualizado em 05/12/2012 às 15:12, por Danubia Guimarães.

Foi-se o tempo em que apenas os apresentadores de voz grave e empostada tinham vez na televisão. Aliás, eles estão cada vez mais raros. Vindos do rádio, onde o recurso era fundamental nos tempos em que a frequência dos aparelhos era ruim e cheia de chiados, já não faz mais sentido profissionais com tais características nos dias de hoje. As necessidades dos profissionais de comunicação agora são outras.
Leia também Crédito:Danúbia Guimarães Leny Kyrillos é fonoaudióloga na Globo há 12 anos Segundo a fonoaudióloga Leny Kyrillos, responsável por preparar a voz e dar suporte aos profissionais do núcleo jornalístico da Rede Globo há 12 anos, a voz é uma das projeções mais fortes da nossa personalidade e inegavelmente é um dos principais instrumentos da comunicação. Para a especialista, devido à instantaneidade da informação no meio televisivo, a cobrança pela clareza e objetividade jornalística fica ainda mais evidente. “Diferentemente dos jornais, em que o leitor pode se distrair e reler a matéria, na TV é tudo muito rápido. Só há uma oportunidade de se fazer entender”. Para Leny, “o telespectador que assiste um telejornal busca credibilidade para se manter atento e muito dessa característica está associada à forma de comunicação”. Apesar da importância do carisma e empatia do jornalista, a firmeza no olhar e na postura ainda é fundamental. “A expressão corporal acaba comunicando bastante. Se o apresentador ou repórter fala com a boca meio fechada, com o rosto para baixo e a voz fraca, a impressão que dá é que ele não sabe bem o que está dizendo”.
A estrela é a notícia Diferentemente do que ocorre com os apresentadores de programas de entretenimento, no jornalismo, exigências com a postura são naturalmente outras. “No telejornal a estrela é a notícia, não quem a apresenta”, defende Leny, que explica que se o profissional tiver qualquer dificuldade para transmitir a informação, isso é trabalhado com apoio profissional e em último caso o jornalista pode até mesmo ser substituído.
Segundo a fonoaudióloga a tendência de transmitir opinião na TV é relativamente nova. Isso porque durante décadas vivemos sob a censura. “Nessa fase a orientação para todos os jornalistas era de falar sem demonstrar nenhum julgamento ou crítica sobre o que diziam. Eles eram apenas locutores de notícias”. Com a chegada da democracia os profissionais da comunicação passaram a ter mais liberdade, ainda que com alguns cuidados externos, como o sotaque. “Apenas lapidamos o excesso para que a atenção seja focada no conteúdo e não no jeito que se fala”.