Na Bienal do Livro, painel discute reforma ortográfica

Na Bienal do Livro, painel discute reforma ortográfica

Atualizado em 15/09/2007 às 22:09, por Rodrigo Manzano e  enviado ao Rio de Janeiro (RJ).

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A Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa - que desde a década de 1990 tenta, sem sucesso, unificar o padrão de escrita do idioma entre os países lusófonos - foi tema de um painel, hoje (dia 15), na XIII Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Participaram da discussão o escritor e membro da Academia Brasileira de Letras Arnaldo Niskier, o professor, colunista e apresentador Pasquale Cipro Neto e Sérgio Nogueira, professor e consultor sobre o idioma para as Organizações Globo.

Provocado pelo calor da urgência que a reforma parecia imprimir à sociedade - já que a mídia nas últimas semanas trouxe o tema à pauta - o debate conseguiu reunir 200 pessoas, grande parte sinalizando preocupação com as mudanças que o acordo poderia trazer ao uso do idioma. Do lado de fora, ficaram outras tantas que não conseguiram retirar em tempo a senha que dava passe ao evento.

Para Arnaldo Niskier, a resistência por parte de Portugal na ratificação do acordo se dá principalmente porque o Brasil teria tomado a liderança, "invertendo o processo colonizador", lembrou. Desde 1984, quando ainda vivia, o filólogo (e colega de Niskier na ABL) Antônio Houaiss era um missionário da causa. Segundo Niskier, provoca estranheza que esse tema, que resiste há tantos anos, tenha surgido nesse último mês com tanta visibilidade. "Nada se fez", lembra o professor, "até que de repente começou a se anunciar que o acordo começaria no ano que vem".

Segundo informações já publicadas pela imprensa, o acordo foi temporariamente suspenso, dada a resistência de Portugal na adesão. O prazo, nesse sentido, fica estendido para além de 2008. Para Pasquale Cipro Neto, é muito difícil que se normatize o uso do idioma na base da caneta. "Toda vez que se tenta legislar sobre a língua, o resultado é meio complicado", afirmou, lembrando de iniciativa recente do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B/SP), que apresentou projeto de lei punindo quem utilizasse estrangeirismos.

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Leia reportagem especial sobre a Reforma Ortográfica na edição nº 229 da revista IMPRENSA, em outubro.