Na Argentina, "Lulamento"

Na Argentina, "Lulamento"

Atualizado em 17/06/2005 às 10:06, por Renato Barreiros e  de Buenos Aires.

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A queda de José Dirceu repercutiu forte na imprensa argentina. É destaque na capa dos três principais jornais do país." Renunciou a mão direita de Lula", publicou o Clarín . "Caiu o homem forte de Lula", cravou o La Nacion . Nem o diário esquerdista Página 12 ,simpático a Lula, perdoou. Ao lado de uma foto do Presidente segurando a cabeça em um gesto de preocupação, lançou um sugestivo trocadilho "Lulamento".

Antes da crise, Lula aparecia pouco na imprensa portenha. Sua popularidade caia na mesma velocidade em que subia a de Kirchner. Antes badalado como a maior liderança da região, o presidente brasileiro passou a aparecer na mídia só em casos em corrupção, pendengas diplomáticas e brigas internas do governo. Porém, desde a entrevista de Jefferson, a crise passou a frequentar diariamente as manchetes argentinas. Nossos vizinhos acompanham tudo como numa final de Copa de Mundo. Torcendo contra, é claro.

Um pouco depois da posse de Lula, em plena campanha presidencial argentina, nenhum meio parecia se empolgar com o então candidato Néstor Kirchner. Muitas vezes, as manchetes diziam que o país necessitava de um "Lula argentino".

Com a eleição de Kirchner e a adoção de algumas medidas positivas - sobretudo em relação aos desaparecidos e a política econômica, considerada desenvolvimentista - "El Pinguino" tomou o espaço de "liderança progressista latino americana", título que até então pertencia a Lula.

As únicas críticas favoráveis ao presidente brasileiro partiam de meios conservadores, que mostravam como exemplo "a política responsável adotada pelo Brasil" em contraposição a Kirchner, que batia duro no FMI.

Hoje, enquanto Kirchner constrói uma vitória tranquila, quiçá esmagadora, na eleições parlamentares do fim do ano, o governo brasileiro apaga incêndios e já pensa em desistir da reeleição.


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