Na Argentina, canal de TV pró-governo recebe mais verba de publicidade oficial

Na Argentina, canal de TV pró-governo recebe mais verba de publicidade oficial

Atualizado em 18/11/2010 às 10:11, por Redação Portal IMPRENSA.

O governo da Argentina destinou metade dos recursos gastos com publicidade este ano para a emissora de TV aberta Canal 9, que mantém linha editorial favorável à Casa Rosada. De acordo com a Folha de S.Paulo , o canal recebeu cerca de R$ 15 milhões, representando um aumento de 3% comparado a 2009.

Atualmente, os gastos do governo argentino com publicidade sofreram redução de 61% até outubro. Segundo a mídia local, a presidente Cristina Kirchner teria diminuído os investimentos em propaganda oficial na TV para compensar os R$ 300 milhões pagos à Associação de Futebol Argentino (AFA) para garantir à emissora estatal Canal 7 os direitos de transmissão dos jogos do campeonato nacional de futebol.

A preferência em destinar verbas de publicidade para o canal pró-governo contrasta com a queda de anúncios oficiais veiculados pelas três emissoras de maior audiência na Argentina. Entre elas, a El Trece, que pertence ao Grupo Clarín, que registrou redução de 87% nos recursos vindos da Casa Rosada.

O Grupo Clarín também é proprietário do jornal oposicionista Clarín e detém a maior parte das ações da produtora de papel-jornal Papel Prensa. Desde 2008, a empresa e a presidente argentina travam uma guerra declarada. Neste ano, Cristina chegou a acusar o grupo e a publicação La Nación - que também faz críticas ao seu governo - de terem adquirido as ações da produtora de forma ilegal.

Além disso, algumas entidades ligadas à defesa da liberdade de imprensa declararam que o ataque à Papel Prensa poderia ser uma forma de o Estado intervir nas operações de importação do papel para impressão de jornal no país. A nova lei de mídia da Argentina, aprovada pelo Congresso em 2009, também gerou protestos entre as empresas de comunicação. Um dos artigos da legislação obrigava grupos de mídia a venderem parte de suas ações no prazo de um ano. Até o momento, ele permanece suspenso por decisão da Suprema Corte argentina.

No início de novembro, o canal cultural (á), que integrava a programação da operadora de TV via satélite Direct TV, foi retirado da grade em cumprimento da nova legislação de mídia argentina. Em seu lugar, será colocada a emissora de notícias CN23, que pertence ao empresário Sergio Szpolsky, ligado à presidente do país.

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