Multado pela CET em vaga para deficiente que ajudou a criar, escritor desabafa em blog

Marcelo Rubens Paiva (54), colunista do Estadão e autor de livros, como "Feliz Ano Velho" e "Malu de Bicicleta", decidiu

Atualizado em 06/06/2013 às 17:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Marcelo Rubens Paiva (54), colunista do Estadão e autor de livros, como "Feliz Ano Velho" e "Malu de Bicicleta", decidiu escrever sobre o trânsito de São Paulo em seu blog, num texto intitulado "Bullying municipal”. Dessa vez, no entanto, abriu mão dos atributos de ficcionista e apresentou a realidade de um cadeirante nas ruas da capital paulista.
De acordo com O Estado de S.Paulo , multado três vezes por estacionar o carro em vagas para pessoas com deficiência, Paiva intrigou-se, uma vez que sempre exibiu a licença para portadores de necessidades especiais. "Estranhamente, comecei a ser multado, mesmo tendo a licença. Não foi uma. Foram três vezes. Em vagas que me são familiares. Sim, nos horários em que parei. As placas dos carros que uso estão corretas. Os carros estão no meu nome. A licença, tirada na Prefeitura, idem. Estou lá cadastrado. Não checaram", disse o escritor.
Marcelo Rubens Paiva Na última autuação, datada de fevereiro e testemunhada por ele, Paiva conta ter descoberto o que acontece. Depois de parar o carro na altura do número 709 da Alameda Tietê, nos Jardins, em São Paulo, numa vaga indicada para deficientes, passou pela rua uma viatura da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). "Acenei para o guardinha e falei: 'Opa, o carro é meu e a licença está no para-brisa'. Dei um tchau e ele foi embora. Mas depois chegou essa multa", explicou.
Segundo o escritor, o agente de trânsito não desceu da viatura para checar se o documento que o permite estacionar ali de fato se encontrava à mostra. "Não estava chovendo, não havia nenhum impedimento. Estão fiscalizando uma coisa de forma errada e punindo quem está certo", criticou.

O autor recorreu e enviou fotos do carro com a licença, mas, há poucos dias, recebeu a resposta do Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV), da Secretaria Municipal dos Transportes: o pedido de revisão da multa foi rejeitado. Considerada leve, a penalização custa R$ 53,20, além de três pontos na carteira.

"O que eu percebi é que os guardinhas que ficam fazendo essas rondas não saem do carro para ver a licença. Eles acham que ninguém tem licença, que todo mundo para por malandragem. É o cúmulo da incompetência dupla." Paiva foi a primeira pessoa de São Paulo a receber a licença que autoriza estacionar o carro em espaços dedicados a portadores de deficiência.

"Fui eu que tive essa ideia, ainda era a administração do Paulo Maluf." Na cerimônia de inauguração das primeiras vagas para portadores de deficiência, em meados dos anos 1990, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, na zona oeste, ele recebeu a primeira licença da cidade.

A Prefeitura informou que "o condutor não portava o cartão Defis em área visível no carro". O comunicado acrescenta que o recurso do escritor à multa não era "uma defesa baseada em formalidades do auto de infração".