Mulheres de 70 países usam internet para comprar medicamentos abortivos
Mulheres de 70 países usam internet para comprar medicamentos abortivos
Mulheres que vivem em países onde o aborto é restrito estão usando a internet para comprar medicamentos abortivos para serem usados em casa, segundo informações da BBC.
Usado por mulheres da Irlanda do Norte e outros setenta países - entre eles o Brasil - o site Women on Web figura como um dos mais procurados. Nessa página virtual são citados medicamentos como o Mifeprex ou RU-486 e o Misoprostol, também conhecido como Cytotec. Segundo os organizadores, essas drogas "provocam a explusão espontânea da gravidez" e o Women on Web envia os medicamentos apenas para países onde a prática do aborto é muito restrita, e para mulheres que afirmam estarem grávidas há menos de nove semanas.
Segundo uma análise feita com 400 usuárias desses sites e publicada na revista científica British Journal of Obstetrics and Gynaecology , cerca de 11% das mulheres que realizaram o aborto com os medicamentos enviados pelo correio precisaram passar por um procedimento cirúrgico.
A cirurgia foi necessária, em alguns casos, porque as drogas não completaram o aborto e em outros, por causa de hemorragia.
Aproximadamente 200 mulheres responderam perguntas sobre as experiências com o aborto feito em casa - mais da metade afirmou estar agradecida por terem tido a oportunidade de abortar dessa forma, enquanto 31% delas disseram que se sentiam estresssadas, mas que acham a experiência aceitável.
Uma americana descreveu sua experiência quando usou o site, enquanto estava na Tailândia. Ela sofre de uma complicação médica rara e a gravidez representou risco de vida. "O Women on Web manteve contato comigo por e-mail. O medicamento chegou na alfândega, embalado corretamente, com todos os documentos e a assinatura de um médico", conta.
"Os medicamentos enviados por outros sites chegaram em embalagens sem rótulos, sem instruções ou documentação - foi assustador", explica a americana, que comenta ter feito o aborto há cerca de quatro semanas.
"Foi tranqüilo no meu caso. Acho importante que as mulheres tenham esse tipo de recurso nessas situações e elas podem precisar por uma série de razões", completa.
A Associação de Planejamento Familiar da Irlanda do Norte (FPA, na sigla em inglês), já recebeu várias ligações de mulheres que consideram comprar pílulas abortivas online.
A FPA afirmou que em duas ocasiões, as mulheres compraram os medicamentos sem a informação médica apropriada. Elas tiveram complicações e precisaram de cuidados médicos.
De acordo com a diretora da Associação, Audrey Simpson, o site Women on Web é "muito útil e respeitável. "Mas para a Irlanda do Norte, o site incentiva as mulheres a infringirem a lei - e como uma organização, precisamos agir dentro da lei", disse.
Simpson afirmou que há sérias complicações médicas para mulheres que utilizam sites que não são bem gerenciados. Segundo ela, esta pode ser uma "nova era de abortos clandestinos".
Ativistas anti-aborto descrevem a situação como "preocupante". "Isso é realmente preocupante e representa uma banalização do valor de uma criança ainda não nascida", afirmou Josephine Quintavalle, do grupo Comment on Reproductive Ethics, que trata de dilemas éticos que envolvem a medicina.
Com informações da BBC
Leia mais






