MPT instaura inquérito para investigar grupo A Crítica e jornalistas encerram greve

Empresa deverá pagar no prazo de 60 dias os salários, férias e 13º atrasados, além de regularizar recolhimentos de FGTS e INSS

Atualizado em 22/09/2020 às 11:09, por Redação Portal Imprensa.

Os jornalistas do grupo A Crítica retornaram ao trabalho nessa segunda-feira (21), após duas semanas de greve por atraso de salários e não cumprimento de outras obrigações trabalhistas.

Crédito:Divulgação / A Crítica


A decisão ocorreu após o Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurar inquérito civil para investigar a Empresa de Jornais Calderaro Ltda (Jornal A Crítica, Manaus Hoje e Portal A Crítica), decisão tomada na sexta-feira (18), com o fim da mesa de negociação.


O grupo se comprometeu perante o MPT e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Amazonas (SJP/AM), em regularizar salários, férias e 13º no prazo de 60 dias, conforme cronograma entregue na sexta-feira. Foram pagos dois meses de salários atrasados durante as duas semanas de greve dos jornalistas, sendo que alguns funcionários não recebiam desde junho.


O MPT vai investigar a causa dos atrasos registrados desde o ano de 2017, além de atraso em pagamento de férias, não recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da Previdência Social (INSS) e manutenção de contratos irregulares com os empregados.


O movimento grevista foi iniciado no dia 7 de setembro, e durante as duas semanas de mobilização, 11 jornalistas foram demitidos como retaliação.


O SJP-AM pede o bloqueio de verbas publicitárias que a Empresa de Jornais Calderaro tenha para receber do governo do Estado, da Prefeitura de Manaus e de outros anunciantes públicos e privados, com a finalidade de pagar os profissionais demitidos e também os que permanecem na ativa. Desde 2016, não são feitos os depósitos regulares de FGTS pelo grupo, segundo a entidade.


Outra conquista do movimento foi a promessa de regularização dos contratos com os profissionais prestadores de serviço.


De acordo com a presidente do SJP-AM, Auxiliadora Tupinambá, a entidade prepara ação coletiva contra a empresa pela coação com as demissões e o assédio cometido durante a paralisação das atividades. Além disso, os jornalistas preparam ações individuais, por meio da representação jurídica do sindicato, pelos prejuízos financeiros, assédio, entre outras situações.


“Tivemos conquistas importantes nesse período como a mobilização da empresa para pagar o máximo possível. Além disso, os jornalistas foram corajosos e demonstraram que lutam por dignidade e respeito, sem aceitar tamanha violação de direitos trabalhistas”, afirmou. O SJPAM acompanha agora o pagamento das rescisões dos profissionais demitidos, alguns com mais de 20 anos de contrato.