MPJ reúne publishers de iniciativas locais e de nicho para discutir sustentabilidade do negócio

Atualmente, a rede Mais pelo Jornalismo é formada por 168 publishers, de todas as regiões do Brasil

Atualizado em 29/01/2026 às 09:01, por Redação.

Foto de grupo com cerca de 15 pessoas, mulheres e homens adultos, posando juntas em um ambiente interno de evento. Elas estão em frente a um grande painel roxo e laranja que traz o texto “20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo”. A maioria usa crachá de identificação pendurado no pescoço; algumas pessoas seguram bolsas do evento. As pessoas estão dispostas em duas fileiras, algumas em pé e outras agachadas à frente, sorrindo para a câmera. O local é iluminado e lembra um centro de convenções, com estrutura moderna ao fundo.

Grupo de publishers da rede do MPJ que participaram do Congresso da Abraji


A rede do Mais pelo Jornalismo (MPJ) se encontrou virtualmente, pela primeira vez desde sua criação em 2024, para discutir a questão vital do jornalismo: como gerar receitas para garantir a sustentabilidade e a qualidade do trabalho jornalístico. Atualmente, a rede é formada por 168 publishers, de todas as regiões do Brasil. 

Em 2026, o Mais pelo Jornalismo (MPJ), projeto do I’Max, saiu dos bastidores e do protótipo para alcançar a escalabilidade. Já são 26 sites publicados, metade é de veículos inéditos, e ainda outros 17 estão em fase de homologação (estão testando e subindo matérias no publicador).

O Portal IMPRENSA e a agência de notícias Envolverde, fundada e comandada pelo jornalista Dal Marcondes, são os dois projetos mais longevos, que tiveram seus acervos migrados pela equipe do MPJ. 

“O I’Max decidiu pegar parte do que ganha com as agências e reinvestir no jornalismo. Não é algo que nos sobra. Escolhemos fazer esse sacrifício porque, se valorizarmos todo o ecossistema, vamos continuar relevantes”, diz a CEO Fernanda Lara.

 

Diversificação de receitas

Neste primeiro encontro, o convidado para abrir o debate foi Flávio Moreira, diretor de redação da InfoMoney. Ele expôs cinco grandes desafios do jornalismo atual: os modelos de negócio; a crise de credibilidade no jornalismo; a forma como audiência e distribuição influenciam nos modelos; os formatos de distribuição do conteúdo; e os desafios que a inteligência artificial está impondo ao jornalismo.
 

Depender de um único modelo de negócio é assinar um termo de vida de curto prazo para o seu negócio.

Flávio Moreira, especializado em inovação em mídia

Ele defende a diversificação de linhas de receita, como uma necessidade crucial para dar maior resiliência e reduzir a dependência. 

Para ilustrar, Moreira coloca a confiança no topo da famosa pirâmide invertida das aulas de jornalismo, seguida de utilidade, formato e canal. “Quando você trabalha com conteúdo que é confiável e útil, ele consegue ter um ganho financeiro e isso vale ouro. Então, se você tem uma camada de utilidade, ela vai importar muito mais do que grandes audiências”. Para Moreira, formato e canal entram no final da pirâmide como commodity.
 

Monetização no formato vídeo

Já o jornalista Armindo Ferreira, também conhecido nas redes como Mindão, falou sobre estratégias no Youtube, incluindo equipamentos e remuneração.“Eu crio conteúdo para várias plataformas e o Youtube, sem dúvidas, é a que dá mais ferramentas de monetização para criadores”. 

Armindo, que também está entre os publishers da rede do MPJ, falou da importância dos três tipos de território de conteúdo, conhecidos como “Help, Hub e Hero”, e das ferramentas nativas de monetização do Youtube, entre elas as lives e o clube de canais. “O YouTube é uma empresa com regras próprias, quando você entra e aceita o termo de um serviço, você tem que jogar o jogo deles.”

Entre as modalidades de monetização, está no topo de sua lista, por facilidade de ganho, o programa de afiliados do YouTube Shopping, seguido de publi com marcas, lives, clube de canal e a publicidade vem por último.

 

O empresário de notícia

A postura do empresário de notícias e a proposta de valor editorial alinhada a comunidade foram os temas da palestra da Fernanda Lara, CEO do I'Max e idealizadora do MPJ, que encerrou o encontro virtual instigando os publishers a pensarem formas de transformar suas mídias em negócios sustentáveis.

Em oito tópicos, Fernanda usou sua experiência para orientar jornalistas a olharem o veículo como um negócio: definir proposta editorial e personas, priorizar distribuição (especialmente comunidades no WhatsApp), criar produtos pagáveis (newsletters, guias, eventos) e um plano comercial com CRM; além de ressaltar a diferenciação entre audiência e “atenção qualificada” e a importância da disciplina financeira

A rede do MPJ abrange iniciativas regionais e setorizadas. “Eu consigo enxergar maneiras de financiamento muito mais claras para veículos regionais do que para os setorizados. Por outro lado, as mídias setorizadas conseguem se aproximar mais do corporativo, se você se diferenciar e conquistar sua audiência”, finaliza a CEO. ◼