MP quer que afiliada da Globo e jornalista paguem R$ 200 mil por comentários sobre assalto em Criciúma

Promotor entrou com ação por acreditar que falas ‘desmereceram a atividade policial e relativizaram efeitos deletérios de crimes graves’

Atualizado em 10/12/2020 às 12:12, por Redação Portal IMPRENSA.

A Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre ajuizou nessa quarta-feira, 9 de dezembro, por danos morais e coletivos no valor de R$ 200 mil contra a Rádio Gaúcha, do grupo RBS, afiliado da Globo, e o jornalista David Coimbra.

Crédito:Reprodução / Vídeo

O motivo da ação foram os comentários polêmicos do apresentador sobre o maior assalto a banco registrado em Santa Catarina, na madrugada de 1º de dezembro, quando cerca de 30 homens armados e encapuzados tomaram o centro da cidade de Criciúma e atacaram o cofre da tesouraria regional do Banco do Brasil. Estima-se que foram roubados R$ 80 milhões.


Ao vivo, na Rádio Gaúcha, Coimbra elogiou atitudes do grupo criminoso, como a não violência contra moradores, o que foi visto pelo Ministério Público do RS como “desmerecimento da atividade policial e relativização dos efeitos deletérios de crimes graves, em programa radiofônico”.


O promotor de Justiça Voltaire de Freitas Michel, no documento enviado à Justiça, argumenta: “Durante o ataque, os criminosos trouxeram terror à população de Criciúma, sitiando a cidade, bloqueando ruas, provocando incêndios e tomando reféns. Um policial militar que entrou em confronto com a quadrilha, Jeferson Luiz Esmeraldino, 32 anos, foi atingido por um disparo de fuzil e segue internado até a data do ajuizamento da presente ação”.


E segue: “Embora as investigações ainda não estejam concluídas, as características do crime revelam profundo desprezo pela vida humana e pela propriedade privada, além de uma organização sem paralelo, colocando em risco a ordem pública não só em Santa Catarina, mas em todas as cidades vizinhas”.


Os comentários foram feitos por Coimbra no dia 2 de dezembro, em diálogo com a também jornalista Kelly Matos, que não foi denunciada por que segundo o promotor “não parece ter aderido integralmente aos infames comentários proferidos pelo demandado”.


O texto destaca as falas que chamaram mais atenção e motivaram a ação judicial:


— " (...) vamos supor que todos os assaltantes fossem assim como esses aí né (...); tu vê que têm método e, mais que método, têm respeito pelo cidadão" (...).


— "(...) então, existe uma filosofia no assalto deles, e teve um vídeo que recebi que o cara tava filmando, e o assaltante disse, 'não filma', e o cara disse, 'desculpa'; o morador, e parou e disse 'bah, ele viu e agora?; e o cara não fez nada, apenas advertiu, pra que ele continuasse sua ação em paz, entendeu" (...).


— "(...) é verdade, teve um policial que levou um tiro, um vigilante também, mas, se não houvesse intervenção, tudo seria na boa" (...).


— "(...) pode ser um bom assaltante como esses daí, que não incomoda as pessoas, deu uns tiros, é verdade, teve bomba, todo aquele negócio, mas eles fazem aquilo ali só pra pegar o banco, a instituição, entendeu, é aquele dinheiro que eles querem, não é algo contra o cidadão, tanto que deram dinheiro para as pessoas" (...).


— "(...) pra você que é bandido, sabe, tome consciência, seja como os caras de Criciúma, que respeita a população, entendeu, a ação tem que ser pra outra, pra outros alvos, e não o pobre trabalhador" (...)


O pedido de indenização foi ajuizado na Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre. Se condenados, a Rádio e o jornalista terão que pagar indenização no montante de R$ 200 mil, a ser revertido para o Fundo de Reparação dos Bens Lesados do Rio Grande do Sul ou para entidade pública ou privada do campo da segurança pública.