MP erra ao conceder benefício sem levar em conta a gravidade do crime, diz irmã de Tim Lopes

MP erra ao conceder benefício sem levar em conta a gravidade do crime, diz irmã de Tim Lopes

Atualizado em 19/12/2008 às 11:12, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Por

O traficante Claudino dos Santos Coelho, o Xuxa, um dos condenados pela morte do jornalista carioca Tim Lopes, da Rede Globo, recebeu o direito de cumprir o resto de sua pena em regime semi-aberto. Segundo a Vara de Execuções Penais (VEP), ele pode sair da prisão durante o dia e voltar à noite por já ter cumprido um terço da condenação.

No entanto, o jornal carioca Extra informou que fontes disseram que há dois dias ele está em sua casa, no Complexo do Alemão, descumprindo o benefício adquirido no dia 3 de novembro. Tim Lopes foi morto por traficantes enquanto fazia uma reportagem sobre exploração sexual de adolescentes e venda de drogas em bailes funk na favela Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro.

À reportagem do Portal IMPRENSA, a irmã de Tim Lopes, Tânia Muri, declarou ser um absurdo o benefício concedido a autores de crimes hediondos. Para ela, o equívoco está na forma como é avaliado se o criminoso tem direito ao benefício. "Ele [Poder Público] avalia o comportamento do cara, não o crime que ele cometeu. Isso é um erro tremendo. Eles [os criminosos] se fazem de bonzinhos porque o advogado manda, isso é uma estratégia conhecida".

Tânia salientou que se sente impotente ao ver cada um dos seis envolvidos do crime serem postos em liberdade em razão de seu bom comportamento. "Na época do crime eu fiquei feliz em ver os seis malandros presos, mas eu vejo que, um por um, eles estão saindo da prisão". A irmã do jornalista disse não acreditar, em hipótese alguma, no retorno de Claudino dos Santos à prisão. "Está na cara que ele não vai voltar, assim como os outros envolvidos não voltaram".

Para Tânia, a morte de seu irmão não cairá no ostracismo. "Eu não acho que a morte do Tim tenha sido em vão, a partir dela se criou a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo); as denúncias feitas por ele em suas reportagens chegaram ao conhecimento público, o que serviu para mobilizar a sociedade e a repercussão internacional de sua morte chamou atenção para a questão da violência no Rio e no risco da cobertura jornalística".

Quando indagada se reagirá à libertação dos envolvidos no crime, Tânia diz que a vontade existe, mas força não. "Há uma indignação imensa, mas onde estão as forças? Para que alguma coisa mude, de fato, você tem que trabalhar em função disso e não há condições para tal. Eu gostaria de fazer alguma coisa, mas não tenho forças, não no momento...".

No entanto, Tânia lembra que todo o dia 2 de junho, dia da morte de Tim Lopes, é feita uma mobilização na cidade do Rio de Janeiro para que o episódio não se apague da memória da sociedade brasileira. "Nossa família é muito mobilizada, nesse sentido. Sei que todo ano nós estaremos lá, para lembrar do que aconteceu".

Leia mais