Movimento interno do PT defende regularização da mídia e criação de "jornal de massas"

Corrente chamada "Articulação de Esquerda" quer apresentar propostas à direção nacional do partido da Presidente da República.

Atualizado em 30/10/2014 às 19:10, por Redação Portal IMPRENSA.

A Articulação da Esquerda, uma das correntes internas do Partido dos Trabalhadores, divulgou um documento propondo uma série de medidas para legenda após as eleições do último domingo (26/10). Entre as sugestões estão o apoio à proposta de regulamentação econômica da mídia e a criação de um "jornal de massas".
Crédito:Divulgação Corrente interna do PT pede criação de um jornal de massas no próximo governo
O texto, ainda sujeito a alterações antes de ser apresentado formalmente à direção nacional do partido, foi publicado no de Valter Pomar, um dos integrantes do movimento. A proposta em relação à mídia, defendida pela Presidente da República Dilma Rousseff, aparece no item 29.
"Relance a campanha pela reforma política e pela mídia democrática, contribuindo para que o governo possa tomar medidas avançadas nestas áreas e para sustentar a batalha que travaremos a respeito no Congresso Nacional", sugere o texto. Antes disso, no item 28, a corrente fala sobre a criação de um "jornal diário de massas e de uma agência de notícias, articulado às mídias digitais (inclusive rádio e TV web), com ação permanente nas redes sociais".
O objetivo é que os novos veículos partidários "sirvam de retaguarda e de instrumento do campo democrático-popular na batalha de idéias". No item 10, o texto também faz referência à proposta do governo. "É preciso construir hegemonia cultural e fazer reformas estruturais, com destaque para a reforma política e para a Lei da Mídia Democrática".
Pouco antes do fim do texto, no item 49, a Articulação de Esquerda lembra o caso de depredação da sede da Editora Abril após a denúncia da revista Veja na última sexta-feira (24/10). A publicação divulgou, às vésperas da eleição, a informação de que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento sobre o esquema de corrupção na Petrobras. Em propaganda eleitoral, a então candidata à reeleição afirmou que entraria na Justiça contra a revista.
"Um governo democrático não pode financiar com recursos públicos nenhuma gangue de delinquentes midiáticos. As pichações e o lixo jogado em frente à sede da Editora Abril, embora tenham sido úteis à manipulação midiática da direita, nada representam frente ao vandalismo brutal que o oligopólio comete cotidianamente contra a democracia brasileira. Por isto, quem corretamente acha que a Justiça não deve ser feita com as próprias mãos, deve fazer uso do poder de Estado para combater o crime organizado midiático."