Morre o ex-deputado e jornalista Márcio Moreira Alves
Morre o ex-deputado e jornalista Márcio Moreira Alves
Morreu, no final da tarde desta sexta-feira (03), aos 72 anos, o jornalista e ex-deputado federal Márcio Moreira Alves, o Marcito. O ex-deputado estava internado no Hospital Samaritano desde o mês de outubro do ano passado, após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Nascido na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em julho de 1936, Alves começou sua carreira no Jornalismo aos 17 anos, no jornal Correio da Manhã , pelo qual cobriu a Guerra de Suez, entre Inglaterra e Egito. Seu último trabalho na mídia nacional foi como colunista do jornal O Globo , do qual só se afastou em razão da doença, e no qual permaneceu por dez anos.
| Divulgação/Site pessoal |
| Márcio Moreira Alves e Franco Montoro |
Como político, é lembrado por seu perfil provocador. No ano de 1968, Alves, então deputado federal, fez um discurso inflamado em Plenário, no qual convocava seus pares a um boicote aos desfiles militares da Semana da Pátria. Ainda no discurso, o jornalista pedia que as mulheres do país não namorassem oficiais do Exército.
O corpo de Márcio Moreira Alves será velado na Assembleia Legislativa do Rio Janeiro, a partir das 9h deste sábado (04). Às 14h, o cortejo deixa o local e se encaminha ao crematório do Cemitério do Caju, onde está prevista uma cerimônia para às 15h.
Leia, abaixo, a íntegra do célebre discurso de Alves:
"Senhor presidente, senhores deputados,
Todos reconhecem ou dizem reconhecer que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto, isto não basta.
É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, como já começou a se estabelecer nesta Casa, por parte das mulheres parlamentares da Arena, o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro.
As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile.
Esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje, no Brasil, que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa àqueles que vilipendiam-nas.
Recusassem aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das forças armadas, falando e agindo em seu nome. Creia-me senhor presidente, que é possível resolver esta farsa, esta democratura, este falso impedimento pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre os civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia.
Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e a hombridade de, publicamente, se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário dos seus superiores."






