Morre Luiz Carlos Maciel, jornalista e pensador da contracultura

O jornalista, diretor teatral e roteirista Luiz Carlos Maciel morreu na manhã de sábado (9), aos 79 anos, no hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro.

Atualizado em 11/12/2017 às 08:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Segundo a filha do escritor, Lúcia, o boletim médico apontou falência múltipla dos órgãos. A informação é da Folha de S. Paulo. Crédito:Reprodução Folha de S. Paulo/Elena Vettorazzo A obra do gaúcho Maciel conectou a contracultura brasileira com escritores internacionais e contribuiu para torná-la mais consciente de si própria, ao informar sobre ideias insurgentes e movimentos de vanguarda dos anos 60 e 70. Seus textos no "Pasquim", "Flor do Mal", "Última Hora" e "Fairplay" influenciavam esquerdistas menos ortodoxos e jovens aflitos para "cair fora" e encontrar um novo estilo de vida.
O jornalista se aproximou da obra de Sartre e do teatro do absurdo. Morou na Bahia, onde trabalhou com teatro. Mais tarde, mudou-se para Pittsburgh, nos Estados Unidos. A vivência no país enriqueceu o repertório de autores e tendências comportamentais da futura e legendária coluna "Underground" no "Pasquim", do qual tornou-se um dos fundadores a convite do jornalista Tarso de Castro. Entre 1969 e 1972, Maciel foi recordista de cartas da redação e passou a ser chamado de "guru da contracultura".
Diferentemente de outros membros do "Pasquim", ele simpatizava com os gays, as feministas, os hippies e os tropicalistas. No final de 1970, o Exército prendeu a equipe do humorístico e Maciel teve os cabelos cortados na Vila Militar.
Maciel deixou o "Pasquim" em 1972, pressionado por Millôr Fernandes, substituto de Tarso na chefia. Antes da despedida criou e editou o "Flor do Mal", ao lado de Rogério Duarte, Torquato Mendonça e Tite de Lemos.
No jornalismo, comandou a edição brasileira da revista "Rolling Stone" e colaborou com veículos como "Correio da Manhã", "Jornal do Brasil", "O Jornal", "Fatos e Fotos" e "Veja". Na Folha, a pedido de Tarso, escreveu para o caderno "Folhetim". Na "Ilustríssima", em 2015 e 2016, publicou seus últimos textos na imprensa.
Ele deixa a viúva, Maria Cláudia, atriz, com quem era casado desde 1976, os filhos Lúcia Maria e Roberto, quatro netos, 13 livros e oito gatos batizados com nomes de filósofos pré-socráticos.
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