Monumento à Liberdade de Imprensa brasileiro é premiado no "Oscar" mundial da arquitetura
Pela 4ª vez em seis anos, projeto do arquiteto Gustavo Penna foi finalista do “Oscar” do segmento. Monumento será construído em Brasília.
Atualizado em 08/10/2014 às 17:10, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Divulgação Monumento celebra a liberdade de imprensa no Brasil
Considerado um potencial marco cultural na capital federal, o monumento pretende dar voz a um dos pilares da democracia brasileira, o princípio de autonomia ao profissional de comunicação. Para tanto, a obra abrangerá cerca de 1000 m², distribuídos num ambiente equipado para fornecer condições de trabalho qualitativas aos correspondentes e jornalistas que passam pela cidade.
No local, serão disponibilizadas salas de reuniões, galerias para exposições, instalações para eventos e projeções multimídias. A Fundação Henfil ficará alojada no espaço, que compreende um complexo a ser recheado pela comunidade de repórteres, que terão livre acesso para conhecer a história das Comunicações Sociais no país, como também participar de cursos e palestras feitos na área.
À IMPRENSA, o arquiteto mineiro Gustavo Penna fala sobre a concepção da iniciativa, selecionada em meio a nove empreendimentos internacionais. Ela foi desenvolvida conceitualmente em 1995, a pedido da Fenaj. No entanto, ao longo da história sofreu com as constantes paralisações da obra. A construção definitiva será possível graças a um acordo costurado pelo novo presidente da entidade, Celso Schröder. No momento, somente a obra de terraplanagem está pronta.
Schröder aproveitou a aprovação da Lei Federal de Incentivo à Cultura e conseguiu o apoio de órgãos públicos e privados, como Petrobras, Brasil Telecom, Ministério da Cultura, da Govesa e dos Correios. Com a retomada da obra, Penna enviou o projeto à apreciação da WAF. “O que está sendo premiado é a sua qualidade. E é interessante que, mesmo desenvolvido há muito tempo, mantenha sua validade, justificada tanto pela sua dimensão simbólica quanto metafórica”.
O desenho do monumento foi criado a partir de um sentido de elevação, conta o arquiteto. Segundo ele, representa o ideal presente no título a que foi atribuído à construção. “A liberdade de imprensa é uma conquista do cidadão. Não é só o jornalista que se beneficia dela, mas sim quem tenha acesso à informação, o direito à informação, o direito a conhecer o que está acontecendo na sociedade”.
Crédito:Divulgação Gustavo Penna é responsável pelo projeto premiado
Composto em cima de algo abstrato, como o conceito de liberdade, o design está atrelado à ideia de tridimensionalização. A partir do campo simbólico, se trabalhou em dois tempos distintos. O primeiro está ligado ao solo, que representa o fato. “O arquiteto não pode inventar e colocar um prédio em um chão que não existe. O jornalista, da mesma forma, não pode inventar uma notícia sem ter um fato”.
Assim, o fato seria o contato do monumento com a verdade, com a realidade, e neste caso, com o chão. Já a segunda fase, foi elaborada a partir da ideia liberal. “É a opinião, a interpretação, a outra faceta da notícia. Ela se liberta porque cada um pode ter uma visão da nota e depreender de alguma coisa do que a informação significou. É a interpretação do fato! Por isso que a segunda fase é a liberdade”.
Na construção, a presença dos vidros ao redor da obra também chama a atenção e está relacionada estritamente com o design confeccionado para o espaço alocado na capital federal. “A liberdade de imprensa é o que a sociedade precisa cuidar. Ela tem a sua fragilidade, não é uma força definitiva e pede permanentemente cuidado e fundamentalmente atenção”, afirma.
A localização em que será inaugurado o empreendimento fecha com chave de ouro a iniciativa: no Eixo Monumental de Brasília, onde se configuram as diversas dimensões da nossa sociedade, desde os três poderes até a Biblioteca Nacional. E mais: em posição de destaque, de acordo com o arquiteto. “Em seu caso particular, ela está entre o Memorial Juscelino Kubitschek (JK) e o Museu do Índio”.
De um lado, homenageia quem estava aqui antes de todos nós. De outro, possibilita recordar as memórias de quem, conforme conta Penna, deu visibilidade ao país, e nos colocou na vanguarda através da arquitetura, do urbanismo, da cidade que se inaugurava, do início da industrialização, da abertura das vias. “E formando um triângulo, está a imprensa, que assistiu a todo esse processo”, diz.
“Pero Vaz de Caminha, talvez tenha sido o nosso primeiro jornalista. Até hoje nós temos uma história narrada por esses heróis, os profissionais de imprensa, que estão sempre permanentemente à custa de perseguições e de tudo o que cerca o cotidiano do país, tendo um olhar sobre o processo da nossa sociedade”, acrescenta o arquiteto, que confessa ter torcido muito para a premiação do projeto.
Até a próxima sexta-feira (10/11), o evento reunirá representantes de mais de 50 países e anunciará o vencedor do "World Building of the Year", (Edifício Mundial do Ano). A categoria será avaliada por um júri presidido pelo arquiteto britânico Richard Rogers. Em 2007, Rogers foi homenageado com a condecoração vista como mais importante da área, o Prêmio Pritzker, pelo conjunto da obra.
O World Architectural Festival, no entanto, foi concedido a apenas três escritórios brasileiros ao longo de sua história. “Recebemos esse reconhecimento com grande alegria, entusiasmo renovado e profunda gratidão aos parceiros, amigos e equipe que tornaram essa conquista possível”, diz Penna.
Confira a de premiados e acompanhe a programação do WAF 2014 no oficial da premiação.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





