Monopólio dos meios de comunicação é tema de painel do 33º CNJ

Monopólio dos meios de comunicação é tema de painel do 33º CNJ

Atualizado em 21/08/2008 às 17:08, por Érika Valois/ Redação Portal IMPRENSA.

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Durante o segundo dia do 33º Congresso Nacional de Jornalistas, realizado em São Paulo (SP), pela Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), de 20 a 24 de agosto, a diretora geral do Jornal La Jornada da Universidade do México, Carmen Lira, falou das dificuldades de se fazer jornalismo independente num país, que a exemplo de várias outras nações da América Latina, vem apresentando uma concentração cada vez maior dos meios de comunicação nas mãos de empresas privadas, que ao defenderem seus interesses levam a uma desinformação da sociedade.

Carmen contou que, ao longo dos 24 anos de existência do Jornada da Universidade , lutou-se para que o periódico fosse independente e crítico, marcado por um claro apelo social. "No México, o jornal Excelsior (um dos diários mexicanos de maior prestígio) foi comprado por um grupo que controla uma rede de hospitais. O La Jornada é o único jornal independente da América Latina, somos comprometidos com a clareza da informação. É função do jornalista informar para poder transformar. Se as pessoas não tomarem conhecimento dos problemas de seu país como poderão resolvê-los?".

Pra ela, "se os meios de comunicação continuarem sendo adquiridos por grandes corporações, se não forem criados meios alternativos para informar o público, continuaremos tendo grandes conglomerados de gente ignorante".

Imprensa x opinião pública

O cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fábio Reis, comentou a questão da opinião pública em período eleitoral. Para ele, o que se veicula na imprensa não reflete a realidade. "De um lado tem-se o eleitorado, do outro, a opinião pública, que é fortemente atrelada ao trabalho da imprensa. Existem claras divergências entre o que o eleitorado pensa e o que se tem por opinião pública".

De acordo com o cientista político, a influência da mídia na sociedade tem afetado o legislativo e o judiciário de maneira negativa. Reis citou o caso da reforma partidária, que foi votada às pressas pelo Supremo Tribunal Federal que ficou com a "corda no pescoço", ao se ver pressionado por câmeras de TV, microfones, canetas e bloquinhos, ávidos por uma decisão.

Ele lembrou que, ao mesmo tempo em que se tratava da questão da reforma no congresso, estavam sendo descobertas as trapalhadas de Renan Calheiros. "É completamente torto o tratamento dado a temas espetaculares pela mídia. Preferiu-se cobrir tudo a respeito do Renan Calheiros em vez de esclarecer a população a respeito da reforma partidária, não se fez nenhum esforço para isso. A imprensa erra ao tentar comprar a posição correta".

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