Mônica Bergamo: "Já me chamaram de tucana e de petista"

Mônica Bergamo: "Já me chamaram de tucana e de petista"

Atualizado em 10/12/2007 às 09:12, por Pedro Venceslau. Fotos: Adolfo vargas e Guilherme Perez.

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A jornalista Mônica Bergamo fala como pensa e trabalha: rápido e muito. Para manter vibrante a sua coluna na "Ilustrada", da Folha de S.Paulo, onde é titular desde 2000, quando substituiu Joyce Pascowitch, ela nunca fica fora do ar. Antes do colunismo, Mônica foi repórter da Folha, Veja, PlayBoy e diretora da Band em Brasília. A entrevista completa está na edição de dezembro da revista IMPRENSA. Aqui você confere um aperitivo da conversa.



IMPRENSA - Você é festeira?
Mônica Bergamo - Sou, mas só gosto de festa com jornalista. Nas outras a que eu vou, pego a nota e volto. No jantar da rainha Sílvia, da Suécia, que foi uma super, hiper, megafesta, sentei ao lado do Fernando Arruda Botelho [acionista do Grupo Camargo Corrêa] e perguntei: "Como está essa coisa dos espanhóis?". Ele falou: "Os espanhóis vão arrebentar os empresários brasileiros". Deu primeira página. No outro dia, fui a um jantar onde estava o vice-presidente da GM. Eu não sabia direito o que perguntar, então pensei: "Bom, os empresários, com o Brasil a mil, estão buscando financiamento". Então cheguei nele e perguntei: "Qual seu pleito no BNDES?". Ele respondeu: "R$ 650 milhões". Estou sempre procurando arrancar.

Na sua coluna, você costuma contar alguns diálogos ou detalhes dos bastidores que, às vezes, são hilários, mas revelam coisas que a fonte nem sempre gostaria que fossem publicadas...
O quê, por exemplo?

A Juliana Paes pediu para não contar que a unha dela é postiça porque é garota-propaganda de uma marca de esmalte, a Colorama...
O jornalista é como padre. Se a pessoa pede off , eu respeito. Agora, se você vê que a Mônica é uma colunista que se veste mal, por que não colocaria isso na matéria? Não tem sentido que eu peça para você escrever que eu me visto bem.

A Heloísa Helena pegou pesado quando chamou você de desqualificada?
Na sabatina da Folha , o jornalista Valdo Cruz perguntou se era verdade que ela tinha votado contra a cassação do Luiz Estevão. Ela respondeu: "Disseram até que eu dormi com o cabra... Não durmo com homem rico e ordinário. Eu vomito em cima". No dia seguinte, o jornal me mandou ouvir o Luiz Estevão. Ele disse: "Se ela teve alguma ânsia de vômito comigo, ela engoliu". A Heloísa Helena não está blindada à resposta de outra pessoa. Foi ela que trouxe esse assunto a público em uma sabatina da Folha de S.Paulo .

Vive muitos dilemas éticos na coluna?
A Folha é muito bem-resolvida nesse aspecto. Sabemos que os leitores se interessam por notícias sobre a vida pessoal das pessoas públicas. Os casos extremos de separação e doença publicamos com o consentimento da fonte. Uma vez, quando o Arnaldo Antunes se separou, uma pessoa muito ligada a ele, em off , confirmou a história. Mas foi ele ou o melhor amigo que se separou? Então não demos. E se ele ainda não tivesse avisado à mãe e aos filhos?

Você publicaria a foto de uma personalidade casada na praia com uma amante? Ou o furo de uma briga conjugal?
Não. Vou dar um exemplo. Eu sempre soube que Caetano Veloso e Paula Lavigne estavam brigando e se separando, mas não falei nada na coluna. É uma regra da Folha . No dia em que se separaram de vez, ele me mandou um e-mail contando. Foi um puta furo. Agora, veja bem, isso não significa que eu não adoreee publicar esse tipo de nota... (risos).


Em 1994, quando você trabalhava na Veja , foi escalada para ir a Portugal entrevistar a jornalista Miriam Dutra, da Globo, que teria um filho com o Fernando Henrique. Por que essa matéria não saiu? Por que, na sua opinião, o filho dele fora do casamento nunca foi notícia?
Existe uma tremenda falsa polêmica nessa história. Como você sabe que ele tem [um filho fora do casamento]? Quem te falou isso?

A revista Caros Amigos ...
E quem falou para a Caros Amigos ?

Ninguém desmentiu.
Ninguém desmentir é uma coisa. Outra coisa é afirmar. Nunca ela falou publicamente que o filho é dele. O FHC também nunca falou sobre isso. Quando eu trabalhava na Veja , a revista fez o oposto do que pensam e mobilizou seus repórteres para esclarecer a história. Fui enviada a Portugal, onde ela morava. Sentei na frente da Miriam, liguei um gravador e fiz perguntas que, atualmente, talvez eu não fizesse: "Ele é o pai do seu filho? Quem é o pai do seu filho?". Hoje, com 40 anos e uma filha, eu não faria da mesma forma. Fui pitbull . Ela falava: "Eu não vou dizer. Nem o pai do meu filho pode dizer isso. Nunca vou dizer". Não é que a imprensa protegeu e não foi investigar. A Veja foi... eu fui checar a história. Investigamos documentos, fomos atrás da família dela. E nada autorizava a publicação da matéria. Isso me faz lembrar de outro caso como se fosse hoje... Quando disseram que o Maluf tinha uma filha, fui à casa da menina. Achei que ela era a cara dele. Todo mundo achava. No final das contas, não era.

Mas a Lurian, filha do Lula, rendeu várias matérias em 1989...
Espera aí... A Lurian foi registrada desde o dia que nasceu como filha do Lula. Ela e a mãe falaram com o repórter que fez a matéria. Depois virou uma baixaria de campanha, mas não é certo dizer que a imprensa publicou a filha de um, mas não a de outro.

A Caros Amigos errou ao publicar essa história?
Eles têm todo o direito de chegar às conclusões a que chegaram. Mas o que fizeram foi entrevistar os jornalistas sobre uma fofoca que existia e a própria Miriam, que disse que não responderia. Se a Mônica [Veloso], mãe da filha do Renan, não tivesse falado nada de sua vida pessoal, garanto que a Folha não teria publicado.

Então você não colocaria na coluna a notícia sobre um político ter uma amante ou uma filha fora do casamento, mesmo que esse político fosse o presidente?
Jamais... Não há interesse público nisso. Meu pai casou cinco vezes. Alguns desses casamentos foram concomitantes. Eu sei o que é isso. Esse assunto só interessa ao núcleo familiar. A Mônica Veloso decidiu resolver dessa forma.

Você já foi chamada de petista?
Já me chamaram de tucana e de petista. Em época de campanha as coisas ficam muito burras. Ou você é petista ou é tucana.

Foi mais chamada de petista ou de tucana?
Colocamos [na coluna] muita foto de tucano. Por quê? Porque eles freqüentam mais as festas em São Paulo. Olha, sou tudo, menos serrista. No entanto, o governador vai muito a festas. Fazer o quê? Quando a Marta era prefeita, também saía muito e, conseqüentemente, aparecia mais na coluna. O Kassab está em todas, não perde uma festa. Já Lula, Palocci e Zé Dirceu não costumam sair muito. Os jantares dos petistas são menores, mais reservados. Eles não são de aparecer em lançamento de livro e shows, por exemplo.


Leia a entrevista completa na edição 230 de IMPRENSA