Momento eterno

Momento eterno

Atualizado em 07/10/2004 às 01:10, por Fabíola Tarapanoff.

Ele tornava pessoas comuns em ícones. Um momento passava a ser eterno. Seu preto-e-branco tinha nuances que revelavam o colorido da personalidade do artista. Esse foi Richard Avedon, grande fotógrafo norte-americano, que morreu nesta sexta-feira, aos 81 anos de idade. Ele foi internado no último sábado após ter sofrido hemorragia cerebral durante uma sessão de fotos para a revista New Yorker.

Suas fotos começaram a fazer sucesso a partir da década de 40. Fotografou bailarinos, artistas, pintores, modelos, músicos e políticos, que se tornaram mitos com sua câmera encantada. Essas imagens estão nos maiores museus e galerias do mundo, como o Metropolitan Museum de Nova York (MoMA), o Art Institute de Chicago, o Victoria and Albert Museum, de Londres, o Museu de Arte Moderna de São Francisco e a National Portrait Gallery, de Washington.

Avedon nasceu em Nova York, era filho de pais judeus russos e tinha interesse pelo mundo da arte em geral: da poesia ao tetaro. A partir de 1945 tornou-se célebre com suas fotos para a Harper"s Bazaar e Vogue, com novas formas de mostrar a moda e a fotografia. Sua carreira inspirou o filme "Funny Face", 1957, de Stanley Donen, com música de George Gershwin. Os inesquecíveis Fred Astaire e Audrey Hepburn participam da obra, interpretando um fotógrafo e uma modelo.

Roland Barthes define em poucas palavras a arte do mestre: "Olhe para um retrato de Avedon: nele você verá o paradoxo de toda grande obra, de toda arte de qualidade: o extremo acabamento se abre para a extrema infinitude da contemplação."