Moisés Rabinovici, diretor de redação do jornal Diário do Comércio

Moisés Rabinovici, diretor de redação do jornal Diário do Comércio

Atualizado em 07/04/2011 às 13:04, por Da Redação.

Moisés Rabinovici, diretor de redação do jornal Diário do Comércio

Divulgação
Moisés Rabinovici
"Todos dizem 'não' no começo. Ninguém gosta de dar entrevista. Ninguém gosta de falar para a imprensa na condição de dar testemunho sobre alguma coisa. As pessoas gostam de falar quando são artistas, quando falam de si próprias, quando tem algo de bom para ligar à sua imagem. É muito difícil convencer alguém a falar quando é sobre um processo. Ninguém quer ser protagonista. Mas eu me lembro da história de um casal que começou com um 'não'. Um casal de velhinhos escreveu uma carta para o jornal pedindo ajuda para se matar. A mulher estava com Alzheimer e o velhinho estava muito doente, com medo de morrer e deixar a velhinha sozinha.
Eu fui procurá-los e o velhinho não quis dar entrevista, inclusive porque eles tinham um filho que era médico e que tinha abandonado os pais há muito tempo e eles não queriam voltar nesse assunto. Tudo isso refletiu certa insegurança, mas aí eu disse que voltaria na casa deles para ler a matéria antes de ser publicada. Aí voltei, li o texto, publiquei a matéria e eles não se mataram. Depois de publicada a matéria, todos os telefones da redação começaram a tocar muito e eu precisei de uma telefonista para ajudar a atendê-los. Chegaram muitas cartas de pessoas que queriam ajudar os velhinhos. Uma semana depois eles deram outra entrevista para mim, dizendo: 'Muito obrigado, nós queremos viver'.
A princípio eles não queriam publicar a carta, eles queriam que a carta se revertesse em uma ajuda médica para que eles se matassem de uma maneira hospitalar. Tive o cuidado de não nomear o filho. Eu sabia quem era, conhecia o hospital que ele trabalhava. Inclusive ele voltou depois arrependido para ajudar os pais. Fiquei feliz porque nem toda matéria que você faz tem um final desses. Tive uma satisfação interior porque você sente que ajudou alguém, ao invés de só descrever uma tragédia. Ajudou a salvar uma vida. É difícil ter momentos desse tipo, que você presta um serviço, se sente útil."