Moisés Rabinovici conta histórias dos quase 50 anos de carreira jornalística
Cheio de bom humor e de histórias para contar, Moisés Rabinovici é o perfilado da edição 273 da revista IMPRENSA. Com toda a irreverência que lhe é característica, Rabino - apelido que ganhou dos colegas de trabalho - abriu as portas da sua sala e as páginas do livro de sua vida profissional e pessoal.
Atualizado em 04/11/2011 às 12:11, por
Pamela Forti e Nathália Carvalho.
A seguir, imagens e mais uma história que não foram publicadas na edição impressa.
"Tive outro grande furo que também se perdeu. Fui buscar o PC Farias e eu peguei um avião com os policiais que iam trazê-lo de volta. No aeroporto, eu fui pegar um táxi. Tive que enfrentar todos os motoristas que, a cada taxi, me ofereciam um álbum com mulheres. Eu dizia não tinha interesse e então eles me vinham com um álbum só com foto de homens. Eu tinha que enfrentar esses caras. E todos os álbuns eram iguais... [risos]
À noite, entrei no avião que estava voltando de Hong Kong. Entramos todos naquela área do 747, no segundo andar, porque era mais fácil fazer o policiamento. Então viajamos e todo mundo fez as entrevistas exclusivas com ele. De repente me veio uma luz e eu pensei: 'Poxa, esse avião vai parar na África. Vou escrever daqui e quando chegar lá eu passo um fax e vou enganar toda a tropa de jornalistas que está aqui nesse avião'. Aí aconteceu que nós chegamos e o avião não pode parar, porque o advogado do PC estava esperando que isso ia acontecer. Por isso, o avião não ficou lá. Parou no meio da pista, cercado de policiais e só entrou o embaixador do Brasil, que, por acaso, eu conhecia. Eu cheguei perto dele com o papel na mão e disse: 'Você tem que mandar isso por fax para o Brasil'. Ele disse: 'Deixa comigo, deixa comigo'.
Assim, o avião saiu, começou a voar de novo e eu fui sorrindo, porque daria tempo da matéria sair antes. Fui olhando as pessoas e ria. Quando o avião parou no Brasil e o Percival [de Souza] estava lá para dar continuidade para a cobertura. E aí eu fui falar com ele, perguntar se estava tudo bem, falar da minha matéria, quando ele disse que não tinha matéria nenhuma. Então, descobri que o embaixador não tinha mandado o fax, ou se tinha, ficou perdido, porque na redação ficava aquele monte de fax e ninguém ia lá pegar. Há pouco tempo eu me encontrei com o Rosental [Calmon Alves] e, conversa vai, conversa vem, ele me disse que também tinha feito a mesma coisa naquele dia e que também não tinha chegado [o fax]... [risos]
Eu sei que fui para a redação completamente zureta da viagem e me deram um caderno inteiro para escrever. Eu fiquei da manhã até a noite numa sala fechada com um caderno e escrevendo só sobre isso. Escrever dá trabalho, tem que colocar a alma nisso"
Moisés Rabinovici
Veja também fotos de bastidores e fotos extras:
Crédito: Alf Ribeiro
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