Moda conservadora

Moda conservadora

Atualizado em 01/10/2007 às 13:10, por Maira Escovar.

Talvez a primeira surpresa que as brasileiras têm ao chegar aos Estados Unidos é o modo com o qual as americanas se vestem. Diferentemente das passarelas de Nova Iorque, nas ruas o que se vê são camisetões, chinelos fechados e calças com cinturas altíssimas.

Ao invés das brasileiríssimas havaianas, as sandálias coloridas e famosas entre homens e mulheres de todas as idades por aqui é uma espécie de botinha fechada na frente e aberta atrás, inteira de plástico e com vários furinhos para circulação de ar. As calças, em sua maioria com cintura bem alta, possuem poucos detalhes e recortes bem tradicionais.

Talvez pela tendência de obesidade norte-americana, também é comum se ver camisetões largos e sapatos confortáveis desfilando por bares e restaurantes, mesmo à noite.

Isso sem falar dos curiosos biquinis. É dificílimo encontrar modelos em que a parte de baixo cubra menos do que 80% do bumbum. Nem mesmo na Victoria's Secret, que é a mais famosa loja de lingerie e que os americanos consideram ousada e sexy, encontra-se modelos mais decotados. Apesar das beldades brasileiras nos catálogos da loja, como Gisele Bundchen, a parte de baixo do biquini conhecida aqui como "brazilian-cut" mais se parece com os biquinis conservadores usados por senhoras nas praias brasileiras.

Uma tia, que mora em Nova Iorque há quinze anos, já havia me avisado que na hora de ir para uma entrevista de emprego também é preciso ficar atenta às regras de como se vestir bem aqui nos Estados Unidos.

A primeira delas é que você não pode usar sandálias ou sapatos que mostrem os dedos. Trata-se de algo muito ousado e sensual para os empregadores. Outra dica é optar por modelos de calças mais largas e camisetas pouco cavadas.

Para exemplificar, ela contou do caso de uma colega, Tina, que trabalha em uma empresa multinacional. A colega havia tido um problema com um funcionário norte-americano enviado para trabalho no escritório do Brasil por alguns meses. Poucas semanas após iniciar o trabalho no Brasil o funcionário telefonou para Tina reclamando por estar sendo assediado sexualmente no escritório. Tina, assustada, quis saber como isso havia acontecido pois já trabalhou no Brasil por muitos anos e nunca presenciou um caso deste dentro da empresa. O americano logo se explicou: "Tem uma secretária que vem até a minha sala com calças justas, mostrando inclusive o formato de sua roupa íntima". Tina retrucou que este é o modo de se vestir das brasileiras e que não há problema algum nisso. Mas o americano completou: "Não é só isso. Ontem ela veio trabalhar com os cabelos molhados!". Foi aí que Tina percebeu o quão diferente é a forma de se vestir das brasileiras e, culturamente, as consequências que isso têm.

Diferentemente do que eu imaginava, apesar da grande influência da moda norte-americana no Brasil, assim com é preciso vestir burcas para visitar algumas regiões do oriente médio, roupas menos sensuais e ousadas são bem-vindas para se viver na maioria das cidades americanas.