Mobilização e conscientização serão de extrema importância na defesa das liberdades, diz Aguiar, candidato à presidência da ABI
Amanhã (26), é dia de eleição da nova diretoria da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). O pleito será realizado na sede da entidade, no
Rio de Janeiro, e os vencedores serão responsáveis por ditar os rumos da associação no triênio 2019/2022.
Crédito: Reprodução/Youtube Carlos Augusto Martins Aguiar é candidato à presidência da ABITrês grupos estão na disputa. Atualmente no cargo, Domingos Meirelles está à frente da chapa "ABI para todos". Atual vice-presidente da entidade e responsável pela Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos, Paulo Jerônimo de Sousa, o Pagê, é o candidato à presidência pela chapa "ABI: Luta pela Democracia". A terceira candidatura é de Carlos Augusto Martins Aguiar, que concorre pela chapa "Barbosa Lima Sobrinho".
A definição do comando da ABI ocorre em momento significativo para a imprensa nacional. Pesquisas indicam que os níveis de liberdade estão em queda no mundo e com a liberdade de imprensa não é diferente. Após recente caso de censura envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a revista Crusoé, multiplicação de ataques a profissionais da comunicação e persistência da crise financeira no setor, o papel da Associação torna-se cada vez mais relevante.
O Portal IMPRENSA entrou em contato com os três candidatos para conhecer suas plataformas. Todos receberam as mesmas perguntas. Ontem (24), publicou a entrevista do candidato da chapa e hoje publica a do representante da chapa "Barbosa Lima Sobrinho". A chapa "ABI para todos" não respondeu o questionário.
A candidatura de Aguiar à presidência foi confirmada há menos de uma semana. Antes, sua chapa tinha outro representante, que se retirou da disputa. O novo candidato, porém, tem bem estabelecidas as prioridades de seu programa. Entre elas está a recuperação financeira e o resgate da credibilidade da ABI junto à sociedade. Para Aguiar, também é fundamental mobilizar a categoria para defender o Estado democrático e a liberdade de imprensa.
Atento aos desafios que o mercado de mídia enfrenta, Aguiar valoriza o debate permanente "com os profissionais da imprensa em parceria com as empresas de comunicações em geral com o objetivo de se buscar alternativas jornalísticas que impulsionem a leitura em material impresso". Leia a seguir a entrevista na qual Aguiar fala sobre sua candidatura e projetos.
O que o motivou a se candidatar para a presidência da ABI?
CARLOS AUGUSTO AGUIAR - Preliminarmente, registro que já é um grande desafio encabeçar uma chapa concorrente às eleições em nossa entidade. A nossa chapa "Barbosa Lima Sobrinho" é composta de jornalistas capacitados para gerir administrativamente e politicamente a nossa entidade. A ABI tem uma importância de extrema relevância no cenário político e jornalístico nacional em defesa das prerrogativas dos jornalistas e da imprensa em geral. Acredito que com a nossa vitória novos rumos serão incorporados na administração da entidade, em particular na defesa intransigente dos princípios democráticos consagrados na Constituição Federal de 1988.
Em linhas gerais, quais serão as prioridades de sua gestão e por que elegeu esses pontos como os principais?
A recuperação financeira e resgatar a credibilidade de nossa entidade perante a categoria e a sociedade e ao mesmo tempo organizar e mobilizar a categoria em defesa do Estado Democrático de Direito e da liberdade de imprensa, principalmente diante desse violento ataque da ditadura de TOGA.
Qual a situação econômica da ABI atualmente e como avalia esse quadro?
Por falta de informações financeiras da entidade, me reservo ao direito de não comentar. Ainda.
O jornalismo atravessa um momento de grandes desafios. As críticas e ataques contra profissionais e a própria profissão se intensificaram significativamente nos últimos tempos. De que maneira a ABI pode interferir para melhorar essa situação e o que pretende fazer nesse sentido durante sua gestão?
A resposta tem que ser dada nas ruas e praças através de protestos organizados em parcerias com outras entidades de classes voltadas para a defesa dos direitos fundamentais, em particular liberdade de imprensa e expressão. Para tanto, a mobilização e conscientização da categoria serão de extrema importância. É nas ruas, com muita luta que se forja a resistência e se combate o opressor.
Financeiramente, as empresas jornalísticas, principalmente as do setor impresso, têm enfrentado dificuldades significativas. Essa situação o preocupa particularmente? Como analisa os efeitos disso no jornalismo nacional?
Essa é uma questão mundial, consequência dos avanços tecnológicos. Temos que pautar uma discussão permanente com os profissionais da imprensa em parceria com as empresas de comunicações em geral com objetivo de buscar alternativas jornalísticas que impulsionem a leitura em material impresso. Para tanto, esse material deverá conter atrativos que estimulem o leitor. Não temos bola de cristal, portanto temos que debater intensamente até alcançar uma solução possível de se realizar.
Algumas pessoas criticam a ABI acusando-a de ter se distanciado da realidade dos profissionais de imprensa no país. Concorda com isso? Por quê?
Não concordo e nem discordo. Penso que a nossa entidade está distante da categoria por falta de uma política voltada para mobilização dos profissionais. Por outro lado, tal distância também é uma consequência de nosso imobilismo em não participar e não exigir das diretorias uma atuação mais presente no dia-a-dia da política nacional. Também temos que fazer a "mea-culpa"
Considerando o cenário atual, qual sua expectativa de futuro para a imprensa brasileira?
Penso que o futuro da imprensa brasileira está na leitura, na formação do cidadão desde o ensino primário até o ensino superior. Nossas escolas têm que incentivar a leitura impressa (livros, revistas, jornais etc.). Temos que incentivar a educação escolar, pois um povo sábio sempre estará buscando a leitura, não se deixará manipular por qualquer que seja a classe opressora.





