"MMA não estimula violência, assim como F-1 não estimula o racha", diz Marinho, da SporTV
Ainda que lutadores e jornalistas especializados em MMA – a cada vez mais conhecida sigla inglesa para “artes marciais mistas” – façam questão de ressaltar que a paixão pelo esporte não é tão nova assim, é unânime que 2011 foi o ano do boom da modalidade na mídia e na TV aberta brasileira.
Atualizado em 14/03/2012 às 16:03, por
Guilherme Sardas e Pamela Forti.
fãs já fidelizados do MMA – a cada vez mais famosa sigla para “artes marciais mistas” – façam questão de ressaltar que a paixão pelo esporte não é tão nova assim, é unânime que 2011 foi o ano do boom da modalidade na mídia e na TV aberta brasileira. As razões e efeitos do novo fenômeno midiático são tratados em da edição de março da revista IMPRENSA.
O primeiro sinal de que o esporte caía nas graças do público brasileiro foi a enorme repercussão da luta entre Vítor Belfort e Anderson Silva no início de 2011. Detalhe: o duelo fora transmitido apenas pelo Combate, canal pay per view da Globosat.
Na madrugada de 28 de agosto, a Rede TV! transmitia o primeiro evento ao vivo da marca na TV aberta brasileira, o UFC Rio, e batia seu recorde histórico de audiência e, de quebra, superava a Globo com 12,9 a 12,8 no auge da vitória, de novo, de Anderson Silva.
O sucesso foi suficiente para que a emissora carioca comprasse os direitos exclusivos de transmissão das competições posteriores, e anunciasse um reality show da marca – o "The Ultimate Fighter" (TUF) – que vai ao ar a partir de 25 de de março, aos domingos, após o “Fantástico”.
Jornalista especializado em MMA, o apresentador do “Sensei SporTV”, Mario Filho, dá sua opinião sobre a ascensão vertiginosa do esporte no Brasil, a atração do público brasileiro pela modalidade e defende que o argumento da "violência em estado bruto" é um clichê que não se confirma.
IMPRENSA - O UFC vem ganhando destaque crescente na TV aberta e na mídia em geral. Qual é a explicação para esse fenômeno?
MÁRIO FILHO - A fórmula é bem democrática: a luta pode ser definida por um nocaute do boxe, do muay thai ou do karate; por uma finalização do jiu-jitsu ou da luta livre. Além disso, as transições da luta em pé para a luta no chão contemplam os amantes do judô ou do wrestling. Ou seja, o lutador do UFC é um "artista marcial” no sentido mais completo da palavra. Também são os atletas mais determinados e disciplinados que existem, porque na profissão deles não estar bem condicionado significa o nocaute. Todos os elementos de fascínio, assim como no futebol, estão lá: a rivalidade, a tensão, o dinamismo, um primoroso trabalho de promoção e divulgação... E no UFC tudo isso é superpotencializado por uma infraestrutura bilionária e caprichosa que torna a atração um espetáculo único.
Você já trabalha com o MMA há anos. Na sua opinião, o que possibilitou o recente boom do esporte na mídia e junto ao público?
A aceitação do MMA pelo público brasileiro era inevitável. Por mais que houvesse resistências e opositores, é muito difícil negligenciar um esporte em que temos os melhores representantes do mundo, e que são idolatrados em todo mundo, exceto no Brasil. E o brasileiro é um lutador por natureza, nasce na batalha, nasce guerreiro pelas adversidades que enfrentamos no país. Também somos extremamente habilidosos desde pequeno, tanto com a bola, quanto com a luta, seja o judô, o boxe, a capoeira, ou o jiu-jitsu em que somos os melhores do mundo em todas as 16 edições do mundial. A agressividade ou, por exemplo, o gosto pela alta velocidade são características inerentes ao ser humano. Uma vez canalizando essa energia da maneira certa, com regras que preservem a integridade física do atleta, controle de doping e todas as medidas tomadas pelo UFC em nome da moralização do MMA, a luta se torna um esporte apaixonante, "quase" irresistível.
Como a SporTV recebeu essa demanda? Como tem sido a repercussão junto ao público?
A repercussão do público, assim como tudo no Ultimate, é superlativa. As pessoas participam muito, interagem o tempo todo, comentam demais e dão sugestões para o nosso "ousado" reality show “Sensei Noção” [em um dos quadros do programa, Mario Filho, que também pratica artes marciais, luta com lutadores profissionais]. A gente tem muita sorte porque o MMA em si é extremamente televisivo, e os lutadores não são tímidos ou monossilábicos, então sempre rendem excelentes entrevistas, polêmicas ou não.
O MMA é um esporte violento. Como fica isso junto à opinião pública? Você acha que é um incentivo à violência?
Eu preferiria me referir ao MMA como um esporte perturbador. Para alguns, é excitante; para outros, é tenso demais, mas, de certa forma, é envolvente para a grande maioria das pessoas. O contexto de violência é subjetivo e pobre demais para rotular o MMA. “O Poderoso Chefão” é um filme violento, com cenas de tiros explícitos na cabeça, e nem por isso as pessoas se chocam, se ofendem. Sabe por quê? Porque estão habituadas a assistirem ao elemento “sangue” no cinema. É o hábito, e a criação de uma cultura. O argumento de “violência em estado bruto” é clichê, conveniente e antiquado. A renovação nem sempre é compreendida. Muitos "cults" foram contra a invenção do CD em detrimento da vitrola. Pois bem, o boxe e o telecatch estão para a vitrola assim com o MMA está para o iPhone. É a modernização, e a convergência de diferentes variáveis em um único elemento. Eu não vejo associação alguma do MMA com incentivo à violência, da mesma maneira que não acho que as pessoas vão fazer rachas de moto ou carro após assistirem à F1 ou a uma corrida espetacular do Valentino Rossi. Não acredito que nenhum fã do Ozzy Osbourne vá comer morcego depois do show.

O primeiro sinal de que o esporte caía nas graças do público brasileiro foi a enorme repercussão da luta entre Vítor Belfort e Anderson Silva no início de 2011. Detalhe: o duelo fora transmitido apenas pelo Combate, canal pay per view da Globosat.
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O sucesso foi suficiente para que a emissora carioca comprasse os direitos exclusivos de transmissão das competições posteriores, e anunciasse um reality show da marca – o "The Ultimate Fighter" (TUF) – que vai ao ar a partir de 25 de de março, aos domingos, após o “Fantástico”.
Jornalista especializado em MMA, o apresentador do “Sensei SporTV”, Mario Filho, dá sua opinião sobre a ascensão vertiginosa do esporte no Brasil, a atração do público brasileiro pela modalidade e defende que o argumento da "violência em estado bruto" é um clichê que não se confirma.
IMPRENSA - O UFC vem ganhando destaque crescente na TV aberta e na mídia em geral. Qual é a explicação para esse fenômeno?
MÁRIO FILHO - A fórmula é bem democrática: a luta pode ser definida por um nocaute do boxe, do muay thai ou do karate; por uma finalização do jiu-jitsu ou da luta livre. Além disso, as transições da luta em pé para a luta no chão contemplam os amantes do judô ou do wrestling. Ou seja, o lutador do UFC é um "artista marcial” no sentido mais completo da palavra. Também são os atletas mais determinados e disciplinados que existem, porque na profissão deles não estar bem condicionado significa o nocaute. Todos os elementos de fascínio, assim como no futebol, estão lá: a rivalidade, a tensão, o dinamismo, um primoroso trabalho de promoção e divulgação... E no UFC tudo isso é superpotencializado por uma infraestrutura bilionária e caprichosa que torna a atração um espetáculo único.
Você já trabalha com o MMA há anos. Na sua opinião, o que possibilitou o recente boom do esporte na mídia e junto ao público?
A aceitação do MMA pelo público brasileiro era inevitável. Por mais que houvesse resistências e opositores, é muito difícil negligenciar um esporte em que temos os melhores representantes do mundo, e que são idolatrados em todo mundo, exceto no Brasil. E o brasileiro é um lutador por natureza, nasce na batalha, nasce guerreiro pelas adversidades que enfrentamos no país. Também somos extremamente habilidosos desde pequeno, tanto com a bola, quanto com a luta, seja o judô, o boxe, a capoeira, ou o jiu-jitsu em que somos os melhores do mundo em todas as 16 edições do mundial. A agressividade ou, por exemplo, o gosto pela alta velocidade são características inerentes ao ser humano. Uma vez canalizando essa energia da maneira certa, com regras que preservem a integridade física do atleta, controle de doping e todas as medidas tomadas pelo UFC em nome da moralização do MMA, a luta se torna um esporte apaixonante, "quase" irresistível.
Como a SporTV recebeu essa demanda? Como tem sido a repercussão junto ao público?
A repercussão do público, assim como tudo no Ultimate, é superlativa. As pessoas participam muito, interagem o tempo todo, comentam demais e dão sugestões para o nosso "ousado" reality show “Sensei Noção” [em um dos quadros do programa, Mario Filho, que também pratica artes marciais, luta com lutadores profissionais]. A gente tem muita sorte porque o MMA em si é extremamente televisivo, e os lutadores não são tímidos ou monossilábicos, então sempre rendem excelentes entrevistas, polêmicas ou não.
O MMA é um esporte violento. Como fica isso junto à opinião pública? Você acha que é um incentivo à violência?
Eu preferiria me referir ao MMA como um esporte perturbador. Para alguns, é excitante; para outros, é tenso demais, mas, de certa forma, é envolvente para a grande maioria das pessoas. O contexto de violência é subjetivo e pobre demais para rotular o MMA. “O Poderoso Chefão” é um filme violento, com cenas de tiros explícitos na cabeça, e nem por isso as pessoas se chocam, se ofendem. Sabe por quê? Porque estão habituadas a assistirem ao elemento “sangue” no cinema. É o hábito, e a criação de uma cultura. O argumento de “violência em estado bruto” é clichê, conveniente e antiquado. A renovação nem sempre é compreendida. Muitos "cults" foram contra a invenção do CD em detrimento da vitrola. Pois bem, o boxe e o telecatch estão para a vitrola assim com o MMA está para o iPhone. É a modernização, e a convergência de diferentes variáveis em um único elemento. Eu não vejo associação alguma do MMA com incentivo à violência, da mesma maneira que não acho que as pessoas vão fazer rachas de moto ou carro após assistirem à F1 ou a uma corrida espetacular do Valentino Rossi. Não acredito que nenhum fã do Ozzy Osbourne vá comer morcego depois do show.






