MLST mantém repórteres em cárcere privado no Paraná

MLST mantém repórteres em cárcere privado no Paraná

Atualizado em 22/11/2007 às 18:11, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

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Um grupo de integrantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) manteve três jornalistas em cárcere privado, por cerca de 50 minutos, na manhã desta quinta-feira (22), na Fazenda Bom Sucesso, em Cascavel, no oeste do Paraná. Dois oficiais de justiça estavam com os profissionais da imprensa.

A ação do MLST ocorreu no momento em que os oficiais foram ao local comunicar os assentados sobre o mandato de reintegração de posse da área. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), havia 238 famílias acampadas em cerca de 150 barracos.

Segundo o Jonas Sotter, repórter da Rádio CBN e um dos profissionais que foram mantidos presos, os sem-terra os impediram de sair da fazenda após os oficiais lerem a sentença e realizarem uma vistoria na área de plantio. "Quando fomos sair, o portão estava fechado e havia uma barreira com crianças, mulheres e idosos impedindo a saída", disse o repórter, em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Sotter, que estava acompanhado da repórter da emissora de televisão local CATVE Iane Santos Cruz e o cinegrafista da mesma emissora Alessandro Rocha, disse que os sem-terra não chegaram a agredi-los fisicamente, mas que, durante o cárcere, gritavam palavras de ordem. "As agressões foram mais verbais, através de gritos de guerra. Eles também argumentavam que a imprensa fala mal deles e os marginaliza", explicou.

De acordo com ele, apesar de as agressões terem sido somente verbais, os sem-terra soltaram fogos de artifício - que foram confundidos com tiros - e um dos assentados bateu um chicote de couro no chão. "Acho que eles fizeram isso para nos amedrontar ou deve ter sido uma forma de comunicação deles. No começo não senti medo, porque achei que o impedimento duraria poucos minutos. Quando percebemos que a situação estava tensa e que eles não nos deixariam sair, começamos a ficar amedrontados".

O repórter também explicou que os assentados não deixaram que os profissionais entrassem em contato com os líderes do assentamento e que ainda ironizaram o pedido. "Quando pedimos para falar com os líderes, eles falavam: 'os líderes são as crianças, falem com elas'". Os profissionais da imprensa e os oficiais de justiça só foram libertados quando a polícia chegou ao local.

Em entrevista à Rádio Colméia, de Cascavel, um dos coordenadores do MLST na região oeste, Joaquim Ribeiro, afirmou que tudo não passou de um "mal-entendido". Segundo ele, os sem-terra não foram avisados previamente de que os oficiais iriam até o acampamento, além de eles não estarem acompanhados por policiais militares. Os assentados têm cinco dias para deixar a propriedade.