Misoginia: incomodado com pergunta, governador baiano trata jornalista com rispidez

Colunista do portal de notícias baiano Bnews, a experiente jornalista Cintia Kelly, especializada em cobertura política, foi atacada verbalmente ontem pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Atualizado em 22/12/2023 às 16:12, por Redação Portal IMPRENSA.


A agressão ocoreu durante cerimônia de anúncio da pré-candidatura do vice-governador Geraldo Jr (MDB) a prefeito de Salvador. Incomodado com uma pergunta de Cintia sobre a ausência do deputado estadual Robinson Almeida (PT) no evento, Rodrigues, com dedo em riste, disse que iria "falar firme" com a jornalista e que não iria aceitar que uma "pergunta desse porte" estragasse "nossa unidade”.
Surpresa com a rispidez e misoginia do governador, a jornalista lembrou-o sobre o preceito constitucional da liberdade de imprensa. Ao que Rodrigues afirmou que o tom da pergunta da jornalista e seu olhar foram inadequados. Crédito: Reprodução Governador petista Jerônimo Rodrigues: reação condenável após pergunta absolutamente normal "A reação do governador me surpreendeu, dada a obviedade e objetividade da minha pergunta", comentou a jornalista em artigo publicado hoje no Bnews, no qual informa que o deputado Almeida tinha intenção de disputar a prefeitura soteropolitana, mas foi convencido, a contragosto, que Geraldo Jr seria um nome mais competitivo.
Sinjorba

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) se solidarizou com Cintia Kelly, afirmando que, por duas vezes, ela foi tratada rispidamente pelo governador da Bahia.
"Nas duas situações, o chefe do executivo baiano mostrou irritação com as perguntas da repórter, que simplesmente buscava apurar se havia desgaste ou aresta com a escolha de Geraldo Junior, uma vez que alguns pré-candidatos de outros partidos da base não estavam participando do referido anúncio. Perguntas normais da cobertura política."
Ainda segundo o Sinjorba, não cabe ao entrevistado definir o que um repórter deve perguntar. "O exercício do poder, na esfera que for, exige do representante político a serenidade e paciência necessárias para lidar com o contraditório e com questionamentos que não o agradem.