Mino Carta acusa imprensa de ignorar saída de Paulo Henrique Amorim do iG

Mino Carta acusa imprensa de ignorar saída de Paulo Henrique Amorim do iG

Atualizado em 28/03/2008 às 16:03, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Mino Carta, diretor de redação da CartaCapital , publicou nesta sexta-feira (28) às 12h17, o artigo "O silêncio e a calúnia", acusando a mídia de ignorar a "saída de um jornalista do peso de Paulo Henrique Amorim de um portal da importância do iG".

No site da revista, na seção "Sociedade", Carta afirmou que o episódio é "muito grave", e mostra que o Brasil é uma terra "distante da contemporaneidade do mundo". E explica: "não há país democrático e civilizado onde o abrupto afastamento de um profissional tão honrado e competente quanto Amorim não teria repercussão na mídia, imediata e profunda".

Para o diretor de redação da CartaCapital , "não faltaria a busca das razões que levaram o iG a agir de forma tão violenta, ao tirar "Conversa Afiada" do ar sem aviso prévio, ao lacrar o computador do jornalista e enxotar o pessoal da equipe da sede do portal. Bastaria este comportamento para justificar a repulsa da categoria em peso e a investigação dos interesses envolvidos, necessariamente graúdos". Mas o que ouviu-se foi o silêncio.

Ele disse que não é difícil entender porque que os donos do iG (Brasil Telecom, Fundos e Daniel Dantas) decidiram abandonar Amorim. "Não é difícil também enxergar como pano de fundo o projeto de fundir Brasil Telecom com Oi, a ser executado com o apoio do BNDES, e portanto do governo federal, a configurar mais um clássico do capitalismo sem risco de marca tipicamente brasileira".

Carta ainda lembrou do apoio recebido pela jornalista Elvira Lobato, da Folha , ao escrever a matéria sobre a Igreja Universal do Reino de Deus. E, como contraponto, recordou da sua saída da Veja em fevereiro de 1976. No fim de 1975, o Grupo Abril deu entrada com um pedido de financiamento na Caixa Econômica Federal, na época de 50 milhões de dólares, para consolidação de várias dívidas.

O pedido foi aprovado pela diretoria, mas faltava a aprovação do Governo, e Armando Falcão, então ministro da Justiça, vetou o financiamento com o argumento de que a Veja , que tinha como diretor Mino Carta, era sistematicamente antigoverno. O empréstimo só foi aprovado quando o jornalista deixou a revista, no começo de 1976.

Ele afirmou que na época, todos os "colegas de profissão também silenciaram, com exceção do jornal do sindicato paulista. Em compensação, alguns insinuavam, quando não afirmavam, que eu prestava serviço ao chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva, quem sabe em troca de vantagens financeiras". Segundo Carta, até hoje ainda "há quem sustente, periódica e inexoravelmente, que CartaCapital está a serviço do governo".

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