Ministro reúne jornalistas para esclarecer declarações da Folha de S.Paulo
Ministro reúne jornalistas para esclarecer declarações da Folha de S.Paulo
Ministro reúne jornalistas para esclarecer declarações da Folha de S.Paulo
Ao reunir um grupo de jornalistas, na noite da última quinta-feira (30), o ministro Ricardo Lewandowski afirmou, em seu gabinete no Supremo Tribunal Federal que era ele quem estava "com a faca no pescoço". A decisão de se pronunciar foi tomada depois que o jornal Folha de S.Paulo divulgou trechos de uma conversa sua ao telefone, travada na noite da última terça (28), onde ele teria dito que a pressão da imprensa interferiu no julgamento em que foi recebida a denúncia contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão.
No encontro, o ministro pretendia explicar e contextualizar algumas das frases a ele atribuídas - "Tendência era amaciar para Dirceu" e "Supremo votou com a faca no pescoço" - pela repórter Vera Magalhães, da Folha , que acompanhou sua conversa no restaurante "Expand Wine Store by Piantella", na Asa Sul, em Brasília. Na conversa, Lewandowski falava com seu irmão Marcelo.
Segundo Lewandowski, o pescoço a que se referia na conversa era o seu próprio, em razão da publicação, pelo jornal O Globo , de mensagens que trocou no primeiro dia de julgamento com a colega Carmen Lúcia. As mensagens foram fotografadas e publicadas no jornal. "Isso se refere absoluta e unicamente a mim. Eu estava com a faca no pescoço. Me senti profundamente mal e abalado", disse o ministro, procurando afastar qualquer dúvida sobre a independência do colegiado no julgamento da denúncia do mensalão. "Se um magistrado do STF não puder se expressar com independência, é melhor fechar o tribunal", comentou.
No julgamento da denúncia do mensalão, Ricardo Lewandowski foi o único entre os 10 ministros da Corte a livrar o ex-deputado e ex-chefe da Casa Civil José Dirceu da acusação de formação de quadrilha feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. Conforme esclarece, sua posição e voto estão baseados em antecedentes e na jurisprudência do STF.
Sobre a polêmica do que seria público e privado em suas declarações, diante do trabalho na imprensa, o ministro afirma: "A imprensa tem o direito de trabalhar livremente, mas, no meu caso, não respeitou o limite da intimidade. Eu senti e entendi o que significa ter sofrimento moral". E completa: "Tive uma mega-exposição na mídia. Justo eu, reservado, que sempre achei que o juiz só fala nos autos. Estou me sentindo extremamente desconfortável. Fui vítima de uma invasão de privacidade por duas vezes", desabafou o ministro, referindo-se às notícias publicadas no jornal O Globo , sobre a troca de mensagens, e no jornal Folha de S. Paulo.






