Ministro reúne jornalistas para esclarecer declarações da Folha de S.Paulo

Ministro reúne jornalistas para esclarecer declarações da Folha de S.Paulo

Atualizado em 31/08/2007 às 12:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Ministro reúne jornalistas para esclarecer declarações da Folha de S.Paulo

Ao reunir um grupo de jornalistas, na noite da última quinta-feira (30), o ministro Ricardo Lewandowski afirmou, em seu gabinete no Supremo Tribunal Federal que era ele quem estava "com a faca no pescoço". A decisão de se pronunciar foi tomada depois que o jornal Folha de S.Paulo divulgou trechos de uma conversa sua ao telefone, travada na noite da última terça (28), onde ele teria dito que a pressão da imprensa interferiu no julgamento em que foi recebida a denúncia contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão.

No encontro, o ministro pretendia explicar e contextualizar algumas das frases a ele atribuídas - "Tendência era amaciar para Dirceu" e "Supremo votou com a faca no pescoço" - pela repórter Vera Magalhães, da Folha , que acompanhou sua conversa no restaurante "Expand Wine Store by Piantella", na Asa Sul, em Brasília. Na conversa, Lewandowski falava com seu irmão Marcelo.

Segundo Lewandowski, o pescoço a que se referia na conversa era o seu próprio, em razão da publicação, pelo jornal O Globo , de mensagens que trocou no primeiro dia de julgamento com a colega Carmen Lúcia. As mensagens foram fotografadas e publicadas no jornal. "Isso se refere absoluta e unicamente a mim. Eu estava com a faca no pescoço. Me senti profundamente mal e abalado", disse o ministro, procurando afastar qualquer dúvida sobre a independência do colegiado no julgamento da denúncia do mensalão. "Se um magistrado do STF não puder se expressar com independência, é melhor fechar o tribunal", comentou.

No julgamento da denúncia do mensalão, Ricardo Lewandowski foi o único entre os 10 ministros da Corte a livrar o ex-deputado e ex-chefe da Casa Civil José Dirceu da acusação de formação de quadrilha feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. Conforme esclarece, sua posição e voto estão baseados em antecedentes e na jurisprudência do STF.

Sobre a polêmica do que seria público e privado em suas declarações, diante do trabalho na imprensa, o ministro afirma: "A imprensa tem o direito de trabalhar livremente, mas, no meu caso, não respeitou o limite da intimidade. Eu senti e entendi o que significa ter sofrimento moral". E completa: "Tive uma mega-exposição na mídia. Justo eu, reservado, que sempre achei que o juiz só fala nos autos. Estou me sentindo extremamente desconfortável. Fui vítima de uma invasão de privacidade por duas vezes", desabafou o ministro, referindo-se às notícias publicadas no jornal O Globo , sobre a troca de mensagens, e no jornal Folha de S. Paulo.