"Minha vida pessoal não está aberta. Em primeiro lugar, vem a notícia", diz Sandra Annenberg

"Minha vida pessoal não está aberta. Em primeiro lugar, vem a notícia", diz Sandra Annenberg

Atualizado em 29/03/2008 às 11:03, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

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"Este é o primeiro prêmio que ganho na minha vida". Foi assim que a jornalista Sandra Annenberg, apresentadora do "Jornal Hoje", da Rede Globo, iniciou seu discurso como vencedora na categoria "Âncora de Telejornal", da 4ª edição do "Troféu Mulher Imprensa", no dia 17 de março deste ano.

Momentos antes da cerimônia de premiação, Sandra falou com exclusividade ao Portal IMPRENSA e declarou que, por ser mulher, muitas vezes já sofreu preconceito ao longo de sua carreira.

Portal IMPRENSA - Na sua opinião, as novas tecnologias e a TV Digital trazem alguma modificação para o jornalismo televisivo?
Sandra -
Imediatamente não, porque a gente continua fazendo o mesmo jornalismo de sempre. Muda na qualidade da imagem, mas no jornalismo propriamente dito demora um pouco mais, até porque o nosso arquivo não está em HDTV, nosso arquivo é mais antigo. O que vai se modificar de fato são as novas produções. O jornalismo vai ser o último a passar por essa transformação.

IMPRENSA - Em algum momento da sua carreira você sentiu alguma dificuldade por ser mulher?
Sandra -
Várias vezes. Desde sempre, a mulher teve que provar muito mais a capacidade, muito mais a credibilidade. Quando você lida com imagens, a primeira coisa que as pessoas percebem é se você tem uma boa "faixa", se você tem uma voz. Os outros atributos: inteligência, credibilidade, rapidez, eficiência, capacidade vão ficando em segundo ou terceiro plano. Eu acho que isso mudou, mudou muito, mas é recente. Eu diria que foi nos últimos dez anos. Eu trabalho há 30 anos na televisão, começei muito cedo, quando eu era criança, mas trabalhei em várias emissoras em que sempre tive que falar: 'Ei, eu quero mostrar que eu sei fazer bem feito e que eu gosto do que faço', isso quando eu tinha uns 20 anos. Eu sempre batalhei. É claro que, com o tempo, você vai mostrando a que veio, mostrando que é capaz, você trabalha e a coisa vai rolando mais redonda e mais tranqüila, mas demorou bastante.

IMPRENSA - O âncora constrói uma relação diferenciada com o público, se comparada à relação construída pelos repórteres, por exemplo?
Sandra -
Claro, sem dúvida. As pessoas olham pra mim e pra todas as outras pessoas que aparecem na televisão ainda com o "mito da celebridade", confundem o jornalista. O tempo todo eu falo: 'Olha, eu não sou uma celebridade, eu sou uma jornalista, não sou artista. Autógrafo não é exatamente o caso'. Sempre tento conversar com as pessoas dessa maneira, para tentar individualmente explicar que não é isso que conta. De maneira alguma eu vou ser indelicada e, se quiser, a gente acaba dando um autógrafo. Os artistas e celebridades cultuam a imagem, elas gostam de aparecer e sabem que faz parte do trabalho delas. Claro que faz parte do meu trabalho ser reconhecida, afinal de contas eu estou na televisão, mas não é esse o objetivo, é muito pelo contrário: o objetivo é passar a informação e fazer um trabalho bem feito. Não precisa ir além disso. A minha vida pessoal não está aberta e, como jornalista, o que vem em primeiro lugar é a notícia, o resto é resto.

Foto: Zé Paulo Cardeal/ TV Globo