Mídia Ninja acredita que cobertura sem cortes e em tempo real é estimulante
Com smartphones e câmeras às mãos, o grupo Mídia Ninja (sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) protagoniza uma novidade na cobertura jornalística.
“Somos um veículo independente de comunicação e realizamos cobertura e ativismo com uma equipe nacional, num formato colaborativo. Todos que atuam hoje no Mídia Ninja são voluntários que nos enviam e-mails e são cadastrados e informados de todos os tipos de oportunidades de colaboração. Em breve lançaremos uma nova forma de financiamento colaborativo, estamos estudando plataformas e métodos”, explica Raíssa Galvão, editora do Mídia Ninja.
O grupo foi lançado oficialmente em março deste ano durante o Fórum Mundial de Mídia Livre, na Tunísia. A partir daí, vem acompanhando os principais protestos que acontecem no Brasil. Os Ninjas estavam presentes nas manifestações do Movimento do Passe Livre, em São Paulo; na passeata em Belo Horizonte; na marcha rumo ao Maracanã na final da Copa das Confederações; no protesto em frente ao Copacabana Palace, durante o casamento da neta de um empresário do setor de transportes; e na recepção do Papa Francisco.
Raíssa afirma que a maior parte dos veículos tradicionais tentou omitir ou distorcer as razões dos protestos de junho, mas, com o grande impacto que eles geraram, tornou-se impossível não abordar o assunto. “As mídias tradicionais sempre buscaram transmitir dos protestos a imagem de manifestantes baderneiros e vândalos, o que sabermos não ser verdade”, completa.
Na última terça-feira (23/7), dois jornalistas do grupo que acompanhavam o protesto em frente ao Palácio Guanabara, no RJ, foram detidos. O policial responsável pela prisão disse que um dos jornalistas era suspeito de incentivar as manifestações e queria levá-lo para averiguações. Raíssa afirma que o ato foi um grande erro e baseado em uma falsa acusação de incitação a violência.
Coberturas sem edição e em tempo real fazem parte da pauta dos Ninjas que encaram a tarefa como um estímulo de buscar e transmitir informações. “Pra gente é a forma mais estimulante e correta de se fazer [jornalismo] é você transmitir a informação como ela realmente é, no momento em que está acontecendo. É a cobertura do tempo real, das redes sociais e do imediatismo proporcionado pela conexão em rede”, ressalta.
A editora conta ainda que o modo alternativo de reportar os fatos é visto de forma positiva pela grande mídia. “Vários veículos, interessados e admirados como a forma como estamos fazendo jornalismo, têm nos procurado diariamente para o agendamento de entrevistas e matérias ”, declarou.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
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