Mídia em exame

Mídia em exame

Atualizado em 05/04/2010 às 17:04, por Luiz Gustavo Pacete,  da equipe de estagiários; e Igor Ribeiro e  editor-executivo.

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Na antiguidade e no berço de diversas civilizações, o mestre sempre foi reverenciado e respeitado como o responsável por repassar o conhecimento. Os tempos mudaram e a imagem do educador de hoje está vulnerável a distorções. Muitos atores da opinião pública - a grande mídia, principalmente - atribuem a esse profissional quase toda a responsabilidade pelas lacunas no sistema educacional. Para muitos, porém, o professor seria só mais uma vítima desse quadro que apresenta uma infinidade de problemas no Brasil.

A solução definitiva para a educação no Brasil ainda é complexa. Neste contexto, qual seria o papel da imprensa e dos jornalistas especializados no assunto? O que cabe questionar, investigar, criticar e fiscalizar? A revista IMPRENSA levantou essas questões com quem realmente acompanhas as notícias sobre o assunto e, em sua versão impressa, publicou a réplica dos jornalistas especializados e um grande panorama sobre a cobertura (nº 255, pág. 66, " ")

Veja a seguir as íntegras das opiniões de quem acompanha o assunto na mídia brasileira.

Belga Van de Velde, professora de artes da rede pública em São Paulo

O ponto positivo [da cobertura jornalística sobre educação] é que a maioria das pessoas que escrevem querem buscar alguma solução ou outros caminhos para a educação, tentam buscar alguma coisa diferente. O que é ruim é que ainda tem alguma coisa enraizada, como se educação fosse deixada de lado, e não é bem assim. Tem esse ranço que precisa investir mais... Tem investimento, sim. Mas são outras coisas que precisam mudar.
A história da gripe suína, por exemplo. Começaram a falar: "Os alunos vão ficar dez dias sem aula e vão ficar sem conteúdo." Isso não ia prejudicar, mas ninguém falava isso. Não se fala que dá para fazer intensivo, coisas extra-classe. Mas sempre fica assim, "ah, não dá para perder", parece um posicionamento da imprensa.

Falta falar coisas boas que acontecem, não só de prova Saresp, Prova São Paulo... [Abordar] os trabalhos que as escolas desenvolvem. Na prefeitura tem muita gente boa e gente afim de fazer, de trabalhar.

Trabalhei na [EMEF] Amorim Lima por três anos, um projeto inspirado na Escola da Ponte de Portugal. Lá não tem parede, é super alternativa, animadora, diferente, tenta trazer os pais para dentro, entender o aluno, o sistema de avaliação é diferente... Tem toda uma preocupação com o aluno. É uma escola pública que até aparece um pouco em programas especializados, mas poderia ir além.

Acho interessante as revistas especializadas. Sempre tem projeto em todas as áreas, em português, em matemática, em artes... O ruim é que não dá para fazer igual. Dá para fazer experiências e transformar na sua realidade. Quem quer seguir mastigadinho, até dá, mas não é bom. Mas a revista [Nova] Escola, por exemplo, é um jeito de abrir a cabeça e ver que há maneiras diferentes de tratar o conteúdo. Não é uma base teórica, mas é uma coisa bacana.

Fazer sensacionalismo é um problema. Tinha que mostrar pequenas coisas que acontecem. Às vezes fica muito voltado para o professor. Na Globo, o Chico Pinheiro detona os professores, colabora para deixar o profissional para baixo. Parece que não fazem parte da mesma coisa os diferentes componentes da educação. E isso é um problema. Não tem que tratar a separação da educação: pai, aluno, escola, governo... Tem que tratar junto, não separado.

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