Mídia de Vaudeville
Mídia de Vaudeville
Desemprego, estatização, centralização de gestão e socorro financeiro emergencial: a imprensa francesa vive um verdadeiro pandemônio existencial, pondo à prova sua consagrada liberdade de expressão
Uma verdadeira guerra foi declarada pela imprensa francesa e o alvo é o próprio presidente da República, Nicolas Sarkozy. O chefe do Poder Executivo francês pretende eliminar, progressivamente, a publicidade da rede de TV pública do país. O rombo pode chegar a 450 milhões de euros neste ano e a 1 bilhão a partir de 2011, quando a propaganda será totalmente suprimida. A nova lei, anunciada há um ano por Sarkozy, começou a vigorar em janeiro e tem vários pontos polêmicos. Num país em que a liberdade de expressão e a independência jornalística são consideradas sagradas, a medida gerou uma onda de protestos e paralisações entre os jornalistas dos canais estatais e um intenso debate na imprensa. Já foi até chamada de "berlusconização" da mídia - uma referência ao premiê italiano Silvio Berlusconi. O texto de Sarkozy ainda aguarda votação do Senado, mas já entrou em vigor.
"Como ele [Sarkozy] determinou, foi como um decreto: passou a valer", afirma Xavier Armengaud, redator-chefe de um dos escritórios do Canal 3 (F3), em Perpignan, no sul da França, para quem as sucursais, justamente, são as mais ameaçadas. Para a especialista em ciência da informação e da comunicação Joëlle Farchy, a questão é complexa e deve ser vista com cuidado, pois relaciona estrutura de financiamento e dependência da audiência. "Paradoxalmente, a medida fez eco a uma demanda recorrente da esquerda francesa, de um audiovisual público liberado da dependência da audiência", diz a especialista, que também é diretora adjunta do Instituto Francês de Comunicação da Sorbonne. Nesse modelo, os canais não estariam submetidos à necessidade de venda de espaço publicitário e poderiam criar, com mais liberdade, programas culturais e pedagógicos.
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