Mídia conservadora dos Estados Unidos vive fogo cruzado após ataque em Arizona

Mídia conservadora dos Estados Unidos vive fogo cruzado após ataque em Arizona

Atualizado em 19/01/2011 às 17:01, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

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Depois do ataque ocorrido dia 8 de janeiro em Tucson, no Arizona - que matou seis e feriu 14, entre eles, a congressista Gabrielle Giffords - comunicadores e partidários da esquerda acusam a direita conservadora de ter criado um clima de hostilidade que influenciou na tragédia. As criticas partem de cidadãos comuns e dos próprios políticos, e têm como principal alvo os comentaristas, articulistas e apresentadores espalhados por veículos conservadores. Glenn Beck, polêmico apresentador da Fox News, enfrentou na semana passada um protesto do grupo judaico Jewish Funds for Justice (JFSJ), com mais de 10 mil assinaturas, pedindo sua saída do canal pelo fato de seus comentários incitarem o ódio religioso e racial no país.

Câmara Britânica
Kenneth Rapoza

O jornalista Kenneth Rapoza, correspondente da Dow Jones no Brasil entre 2005 e 2010, explica a força da imprensa conservadora em seu país: "A influência da mídia de direita nos Estados Unidos é muito grande. Vários livros foram escritos sobre o crescimento, a ideologia, e os homens por trás desse movimento, que era pequeno na época de Richard Nixon, mas explodiu quando o democrata Bill Clinton tirou a Casa Branca dos Republicanos".

Entre os comunicadores mais conhecidos da chamada "mídia de direita" estão Erick Erickson, editor do blog Red State, que atribuiu ao atirador de Tucson o titulo de esquerdista. George Will colunista do Washington Post e da revista Newsweek é outra figura explosiva. Além de Sean Hannity, que afirma que "Bush foi impecável na guerra ao terror".

O líder da "mídia de direita" é a Fox News, com uma audiência fiel à opinião do canal. Kenneth assinala que a audiência da Fox "tem idade média de 60 anos, é branca, masculina e composta por eleitores do partido Republicano". A emissora costuma ser agressiva na cobertura de temas como mudanças climáticas, fim da guerra contra o terrorismo e reforma do sistema de saúde de Obama, quase sempre com postura contrária a essas pautas.

De acordo com dados de 2010 do Instituto Rasmussen, mais de 37% dos americanos adultos se dizem republicanos; os democratas são 33,7%. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , Brian Darling, analista da fundação conservadora Heritage, comenta que hoje os Estados Unidos "vivem a pior face da política. A retórica só piorou depois da tragédia". Liberal, Paul Krugman, do New York Times, acha que o ataque já era esperado, em função do atual clima político do país.

Atos polêmicos da direita

A atitude dos representantes da direita é sempre acompanhada de manifestações violentas e passionais. Glenn Beck já queimou uma efígie da líder do partido Democrata na Câmara, Nancy Pelosi. Semanas depois tentaram jogar uma bomba na casa da parlamentar. A senadora Patty Murray de Washington recebeu ameaças de morte de Charlie Wilson - no tribunal, o primo de Wilson afirmou ao juiz que o parente era viciado no programa do Beck. Em São Francisco, Byron Williams tentou matar executivos da "Tides Foundation" após a fundação ter sido chamada de "financiadora dos progressistas radicais" na Fox. A ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin também recebeu criticas, pois divulgou um mapa em que indicava com uma mira de arma de fogo 20 nomes de políticos democratas a serem combatidos.

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