Microchip e guerra / por Mauro Barreto - Universidade da Amazônia

Microchip e guerra / por Mauro Barreto - Universidade da Amazônia

Atualizado em 11/04/2005 às 16:04, por Mauro Barreto.

Microchip e guerra / por - Universidade da Amazônia

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Competitividade: Esta é uma coisa que esteve sempre presente na história da civilização humana, a única espécie animal provida da capacidade de "raciocínio" - o que a diferencia das demais espécies, pois tal capacidade torna possível com que o ser humano crie novas coisas, novos instrumentos, novas tecnologias, tudo para satisfazer suas necessidades, que já vão além da simples sobrevivência: Ultrapassam as necessidades impostas pelos seus instintos naturais, surgindo por motivos criados pela própria mente humana, sendo diretamente influenciados pela ação do meio.
É aí que entra a competitividade: Tendo o homem tal capacidade de criação e desenvolvimento, ele a usa para tornar-se cada vez melhor (em tese) do que outros seres humanos, ou outros grupos de seres humanos. Assim acontece desde que o homem pré-histórico inventou a clava, passando pela revolução rural - na qual os animais passaram a ser domesticados e usados a favor das necessidades humanas -, pela revolução industrial - na qual iniciou-se o advento das máquinas e impulsionou a modernização urbana - e chegando à presente era, chamada era informacional - na qual as micro-tecnologias possuem o papel principal.
Nessa era da informação, as máquinas atingiram (e seguem atingindo) grande desenvolvimento com relação à época da revolução industrial, sendo os computadores uma peça fundamental para a chamada "vida moderna", e, se a máquina a vapor foi a grande estrela do alcance científico-tecnológico de outros tempos, o microchip assume esse papel a partir do século XX.
Esta peça surgiu durante os anos 60 - década na qual iniciou-se o desenvolvimento dos primeiros computadores - com a inserção de diversos componentes eletrônicos (transistores) em uma placa de silício, finalizando em uma peça bem compacta, o que deu um impulso à criação de praticamente todos os aparelhos eletrônicos que vieram depois.
Agora entra a questão da competitividade outra vez: É fato que o desenvolvimento de tecnologias tem uma relação direta com as guerras (provavelmente a maior demonstração da competição dentro da mesma espécie), e no caso dos microchips, representaram uma grande vantagem no potencial bélico norte-americano durante a época da Guerra Fria: O uso do primeiro computador praticamente existente aconteceu com o propósito de dar maior precisão aos cálculos de trajetória dos tiros de canhão. A partir daí, é freqüente a presença dos computadores nos campos de guerra, além da compactação de outros aparelhos que se deu a partir do microchip.
Sendo o microchip a estrela da era informacional, temos que tomar em consideração uma das maiores revoluções tecnológicas desenvolvidas a partir dos computadores, e que, de fato, aumentou a velocidade e fluidez no transporte de informação em escala global: A Internet - que surgiu também na Guerra Fria, com a intenção de comunicar dois computadores à distancia que controlavam armamentos, dando maior eficácia às táticas de ataque e defesa.
Tal ferramenta, como sabemos, hoje em dia é encontrada na maioria dos lares de classe média, o que facilita o acesso à informação ao redor do globo, além de tornar possíveis ações remotas a quilômetros de distância.
O exemplo mais perfeito disso são as guerras as quais os Estados Unidos protagonizam: Com a facilidade na transmissão de imagens e informações, uma guerra é transformada em uma atração de TV no horário nobre. Lembra de quando assistíamos sentados em nossos sofás aos bombardeios noturnos no Iraque, tudo via-satélite, com ar-condicionado ligado e comendo um saco de pipoca de microondas? (Percebeu a micro-tecnologia presente nisso tudo?).
Assim como nós, simples cidadão de um país conformado de terceiro mundo - onde tudo é carnaval e futebol - nos tornamos espectadores à distância de uma guerra quase cinematográfica; também é possível guerrear à distância com o uso das micro-tecnologias: Alguns apertos de botões ali nos "states" e uns mísseis caem lá no oriente médio. Ou melhor: Alguém aperta um botão em alguma parte do planeta, e finalmente - e literalmente - detona o pânico nuclear presente em nossas vidas "civilizadas e modernas".
Assim como as clavas foram instrumentos criados e desenvolvidos para a competição no passado, os arsenais tecnológicos assumem esse papel no presente.
A tecnologia está a serviço do homem, basta saber se o homem está a serviço da humanidade - no sentido pleno desta palavra.