México viveu o ano mais violento para jornalistas em 2013, aponta relatório

O ano de 2013, que marcou o primeiro do governo de Enrique Peña Nieto, foi o mais violento para a imprensa mexicana em sete anos, apontou a organização Artigo 19, que defende os direitos dos profissionais dos meios de comunicação.

Atualizado em 19/03/2014 às 15:03, por Redação Portal IMPRENSA.

O número de ataques é o pior desde que o ex-presidente Felipe Calderón iniciou sua cruzada contra o narcotráfico.
De acordo com o El País Brasil , praticamente todos os dias, a cada 26,5 horas, um jornalista é agredido no México. Ao longo do ano passado, foram registradas 330 agressões contra profissionais de imprensa e instalações de veículos. As estatísticas revelam que, em 59,3% dos casos, o responsável pela ação violenta foi um servidor público. Apesar das hostilidades, cinco jornalistas morreram em 2013, dois a menos que no ano anterior.
Intitulado “Discordar em Silêncio: violência contra a imprensa e criminalização do protesto, México 2013", o relatório apontou que as agressões aumentaram 59%, com 123 casos a mais em relação a 2012. Dos 330 casos, em 274 foi possível identificar o agressor. Em 146 deles, o responsável foi um servidor público; em 49 uma organização social; em 39 o crime organizado; 30 um particular, e em dez, um partido político.
Os estados de Veracruz, Chihuahua, Coahuila e Tamaulipas integram o grupo dos que mais sofrem com o problema. Além deles, locais como Cidade do México, Oaxaca, Michoacán, Guerrero, Tlaxcala, Baja California e Zacatecas apresentaram aumento nos ataques.
O texto indicou ainda que em nenhum dos casos documentados os profissionais puderam retomar totalmente suas atividades jornalísticas. “O medo de sofrer novas agressões sem proteção do Estado os levou a modificar sua atividade profissional. Em alguns casos, deixaram de cobrir acontecimentos policiais, se autocensuraram ou fecharam os veículos”.
A publicação do relatório foi procedida após a denúncia de invasão da residência do diretor da Artigo 19 para o México e América Central, Darío Ramírez. Os invasores levaram documentos, computadores e objetos de valor relacionados ao trabalho do profissional na ONG.