México registra o terceiro assassinato de jornalista em 15 dias

Federação Internacional de Jornalistas emitiu apelo ao governo mexicano e alertou para a violência generalizada contra a categoria no país

Atualizado em 11/11/2020 às 11:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Diante do assassinato do jornalista Israel Vázquez Rangel, terceiro comunicador morto no México nos últimos 15 dias, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e o Sindicato Nacional dos Escritores de Imprensa do país escreveram um apelo ao governo mexicano pela proteção dos profissionais da categoria e o fim da impunidade para esse tipo de crime.

Crédito:Reprodução / Twitter

Vázquez Rangel foi assassinado no estado de Guanajuato, no dia 09, enquanto fazia uma cobertura jornalística para o portal El Salamantino. De acordo com uma nota do sindicato nacional, relatos apontaram que o jornalista havia viajado para realizar seu trabalho no bairro Villa Salamanca, onde restos humanos foram encontrados em sacos plásticos. Ele teria sido atacado a tiros, e os assassinos fugiram do local.


“O Sindicato Nacional dos Escritores de Imprensa condena o assassinato do colega Israel Vázquez Rangel, ao mesmo tempo em que exige que as autoridades federais, estaduais e municipais investiguem e esclareçam imediatamente o crime, punindo os autores materiais e intelectuais. Da mesma forma, solicitamos à Procuradoria-Geral do Estado de Guanajuato que tome o trabalho jornalístico de Vázquez Rangel como principal linha de investigação”, declarou a entidade.


País violento para comunicadores


Em sua , a FIJ elegeu o México como um dos países protagonistas, ao lado de Rússia, Iêmen, Somália e Índia. A ação reúne 187 afiliados em todo o mundo.


De acordo os registros da Federação, 104 jornalistas foram mortos no México desde 2010. Só este ano, já são onze assassinatos e a grande maioria permanece sem solução.


“Esses números mostram que o crime contra jornalistas é generalizado em todo o México. Ataques violentos, ameaças, assassinatos, desaparecimentos, estupros e deslocamentos de jornalistas afetam grandes áreas do México, executados de forma esmagadora por grupos criminosos e paramilitares”, afirmou Anthony Bellanger, secretário geral da FIJ, em comunicado ao governo mexicano.


O apelo pede que sejam ampliados os recursos financeiros para o Mecanismo de Proteção para defensores de direitos humanos e jornalistas para aumentar sua eficiência, que em outubro teve o fundo financiador extinto pelo Congresso Nacional.


Além dos assassinatos, o México também é - de acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos - um país com números alarmantes de repórteres desaparecidos: entre 2005 e 2019, foram 21 jornalistas declarados