Meu dicionário está no lixo - por Alberto Júnior/UEMA

Meu dicionário está no lixo - por Alberto Júnior/UEMA

Atualizado em 02/12/2004 às 12:12, por Alberto Júnior / Centro de Estudos Superiores de Bacabal/UEMA (MA).

Por Nova pagina 1


Quase diariamente vemos nas páginas de jornais, revistas, pelo rádio, na net, e na TV jornalista se digladiando por conta de frases ditas ou escritas em qualquer veículo de comunicação, vinda seja de quem for. Na maioria das vezes, o alvo são personalidades. Curioso! Todos eles crentes da razão.
Sinceramente não gostaria de redigir esta crônica para tratar justamente deste assunto, Língua Portuguesa, endereçada àqueles que deveriam estar mais preocupados com a compreensão e interpretação em vez do complexocultismo. Os escolhidos para fazer os menos sensíveis entenderem o verdadeiro sentido da expressão "ser social".

Tudo leva a crer que em cursos de jornalismo a língua portuguesa seja vista como no segundo grau, hoje ensino médio. Mecanicamente. Mesmo com o auxílio das cadeiras de ciência da comunicação, o raciocínio é ou não desenvolvido ou não estimulado. Queria entender por que profissionais da comunicação teimam em ver a língua como algo distante, fora da esfera social.
Temos que concebê-la por seu dinamismo (aliás, este vocábulo quer dizer movimento. Há quem não saiba disso ou parece ter esquecido!), desvinculando-a da escrita que é estática e nasce com o objetivo de transmitir informação exata, sem alterações de conteúdo. A escrita é um registro, uma peça no tabuleiro, nunca regra do jogo.

Muito comumente nos deparamos com ofensas entre profissionais, do tipo: "fulano de tal o senhor está errado. Por favor, dê uma olhada na página número tal do dicionário prático de autoria do senhor Beltrano. Lá está escrito que o verbo "X" é regido da seguinte forma, jamais como o senhor publicou em seu artigo". Que veemência! Quanta arrogância!

Em primeiro lugar dicionário é simplesmente um estudo lexicográfico, lugar de regência verbal é na gramática. Pois bem, gramática é tão somente uma parte da língua (ou do idioma, como preferirem), quem de nós fala por ela? Quantas delas há relacionadas à língua portuguesa? Elas têm diferença ou são todas iguais?

Ninguém escreve um livro para dizer o que alguém disse antes, há sempre um acréscimo. Este acréscimo vem da visão de mundo de cada autor. Isso ocorre também com as gramáticas e os dicionários. Por quê? Ora, eles são mero reflexo da língua portuguesa, são apenas registros que se tornam obsoletos com o passar dos anos e devem ser revisados para continuarem existindo.
Ler é o primeiro passo para interpretar e compreender. Devemos conhecer todas as teorias sobre determinado assunto, só então tirar nossas próprias conclusões; o sublime ato de conceber* uma idéia. A linguagem é muito mais que palavras desenhadas, pintadas ou impressas em peles de animais, papiros, papel e aparecendo de forma binária na tela do computador.

Nasce da necessidade que tem o homem de viver em sociedade, de desenvolver o raciocínio. Por isso se torna uma instituição social em pé de igualdade com a Lei, vale o bem-estar comum. O bom jornalista é aquele que consegue passar a informação precisa para a comunidade sendo o mais claro possível, respeitando o Padrão Lingüístico Coletivo.

Isso quer dizer que quanto mais se estuda mais se percebe a necessidade comunicacional da abrangência absoluta. Portanto, está na hora de jogar o dicionário no lixo da ignorância, da falta de ética, da intolerância, deixar de ver o mundo por uma só gramática achando que se está absolutamente certo e levar a sério a frase do saudoso Chacrinha "quem não se comunica se trumbica", muitas vezes encarada de brincadeira, outras tantas mal compreendida.