Mestre do jornalismo
O repórter que mais tem a ensinar sobre jornalismo no Brasil é Mauri König, um dos mais premiados de nossa classe. Em agosto deste ano, ele
Atualizado em 03/11/2015 às 01:11, por
.
Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (outubro/2015), por Gabriel Bocorny Guidotti (Centro Universitário Metodista IPA)
esteve em Porto Alegre (RS) para participar do projeto 'Em pauta ZH', iniciativa do jornal Zero Hora que visa a ampliar os debates a respeito do futuro da profissão. Recentemente demitido do diário paranaense Gazeta do Povo, impresso onde trabalhava desde 2002, König teria todos os motivos para achincalhar a profissão que escolheu. Nada disso. Eu estive presente e posso afirmar: foi uma aula de otimismo e paixão.Sempre me surpreendeu a entrega dos jornalistas investigativos, pois eles se colocam em risco para obter uma informação relevante. É o caso de König, que teve de se exilar no Peru após reportagem em que desnudava a utilização de recursos públicos, por agentes públicos, para fins particulares. Apesar dos percalços em sua carreira, ele não se arrepende de nada que fez, pois sempre esteve ciente do cumprimento de sua missão, qual seja, ser os olhos e ouvidos dos leitores nos lugares onde eles não podem estar.
O depoimento de König foi inspirador. Na carreira de um jornalista, há diferentes formas de produzir conhecimento. A reportagem, entretanto, é o 'graal' da profissão. Trata-se de uma forma de aprofundar um assunto desconhecido - ou pouco conhecido - contando histórias e denunciando ilicitudes. Nesse momento turbulento do país, a reportagem, felizmente, está em polvorosa. Nunca se produziu tanto e com tanta qualidade. As empresas de comunicação buscam formas de manter a audiência ligada. Assuntos polêmicos sempre atraem interesse. Polêmicos, mas proeminentes, para deixar claro.
O desafio de hoje do jornalismo, a despeito do constante enxugamento das redações, é 'ter pernas' para continuar produzindo conteúdo relevante e inédito. A pauta do dia não pode engolir o trabalho de investigação. Microassuntos há aos montes. Grandes matérias são artigos raros. A demissão de König, um arauto das grandes matérias, é devastadora para o segmento, mas acredito que um profissional gabaritado como ele não ficará desempregado durante muito tempo.
Aos futuros jornalistas, Mauri König deu uma importante lição: acreditar na profissão, independentemente das dificuldades enfrentadas. Se o jornalismo de veículo não traz riqueza, garante outros ganhos, pois grandes reportagens prestam serviços que melhoram a vidas das pessoas. Torço que os veículos de imprensa invistam cada vez mais em conteúdo desse nível. De outro modo, não é a nossa classe que perde. É a sociedade.






