"Mesmo com a imprensa contra, fui o presidente com maior aprovação", diz Lula

Em viagem à Argentina, onde falou com um grupo de empresários e encontrou a presidente Cristina Kirchner, o ex-presidente Lula deu uma entrevista ao jornal La Nación e voltou a falar sobre um projeto de regulação da imprensa.

Atualizado em 18/10/2012 às 18:10, por Luiz Gustavo Pacete.

Lula destacou que não é possível que os meios sejam regulados por uma legislação que remete a 1962, quando a realidade do país era outra.
Ao ser perguntado pelo repórter sobre a investida dos governos da Argentina e da Venezuela contra os meios, Lula destacou que cada país tem sua forma de lidar com o assunto e ressaltou que não costuma ficar culpando a imprensa. O ex-presidente destacou que foi um dos mais criticados pela imprensa brasileira e nem por isso deixou de ser o presidente com maior aprovação.

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Crédito:Divulgação Em entrevista, Lula defendeu regulação da mídia no Brasil
O La Nación , juntamente com seu concorrente, o Clarín, é o segundo veículo de maior oposição ao governo argentino e que também vem sendo alvo de críticas por parte do governo daquele país. Acompanhe o trecho da entrevista do ex-presidente brasileiro ao repórter Juan Landaburu.
La Nación - O senhor sempre foi crítico à imprensa de seu país, mas nunca levou adiante uma ofensiva contra os meios como a que ocorre na Argentina e Venezuela? Lula - Eu penso que poucos líderes políticos do mundo foram e são criticados pela imprensa como eu. Porém, eu não me queixo. Nunca tive a imprensa a meu favor, e não por isso deixei de ser o presidente com a maior aprovação de meu país. Me parece que devemos crer na sabedoria dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores. Eles sabem julgar os valores do comportamento de um político e também do comportamento da imprensa. Quando a imprensa está exageradamente contra, ninguém vai acreditar. Da mesma forma que ninguém crê quando ela está exageradamente a favor. Penso que o equilíbrio, a serenidade, o compromisso com a verdade é o que dá credibilidade, tanto para o político como para a imprensa.
Então o senhor acredita que a ofensiva contra a imprensa na Argentina e Venezuela pode ser contraproducente para os governos? Cada país vive sua própria realidade e ela deve ser respeitada. Eu acredito que no Brasil nós necessitamos instalar uma discussão política sobre um novo marco regulatório dos meios. A última regulação é de 1962, não há nenhuma explicação para que no século XXI tenhamos a mesma regulação que em 1962 quando não existiam telefones celulares e nem internet. A evolução das telecomunicações não está regulada. Essa briga existe na Argentina, na Venezuela, no México, onde Ricardo Salinas e Slim estão em guerra todo o santo dia. No Brasil, preparamos em uma conferência nacional, onde participaram, partidos, meios de comunicação, setores da telefonia e ali elaboramos uma proposta de regulação, que deve ser discutida com a sociedade. Não existe modelo definitivo, não existe modelo de O Globo , da Folha , de Lula ou de Dilma, isso não existe. Então, vamos começar uma discussão com a sociedade para saber o que é mais importante para que os meios de comunicação sejam cada vez mais retransmissores de conhecimento, e informação, cada vez mais livres e sem interferência do governo. E digo por minha experiência, vocês na Argentina nos acompanham bem de perto. Eu aprendi a não ficar reclamando e dizer que a imprensa é culpada de tudo. Cada um é responsável de seus atos. Eu sou responsável por meus atos e a imprensa é responsável por seus atos, e por isso seremos julgados. Eu já fui julgado, eu fui reeleito em 2006, eu elegi minha presidente em 2010, assim que cumpri a minha missão. Agora espero que a imprensa siga cumprindo sua missão de informar a sociedade brasileira e pelo mundo inteiro.