Mercado de trabalho: redes sociais abriram oportunidade nas áreas de gestão de risco e de crise
p.p1 {margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; font: 12.0px Helvetica} Atuar nas áreas de gestão de riscos e de gerenciamento de crise pode não ser novidade para alguns jornalistas, mas são especialidades que estão ganhando força desde a chegada das redes sociais e, consequentemente, abrindo oportunidades de atuação para jornalistas.
Essa é a terceira matéria da série que o Portal IMPRENSA está fazendo sobre áreas que estão despontando como opção de atuação para jornalistas.
Crédito:Paulo Pampolin
A jornalista Patrícia Teixeira, professora de gestão de risco da Digital House e colunista do programa Mundo Digital, da rádio CBN,afirma que a área, apesar de estar predominantemente ligada à administração, tem muito a ver com jornalismo por envolver um trabalho de investigação e apuração dos aspectos que definirão a estratégia.
“Antes de fazer qualquer trabalho de gestão de risco, é preciso entrar na organização, fazer uma entrevista minuciosa com os diretores de diversas áreas, pesquisar o ramo de atuação da organização e seus concorrentes e, somente depois disso, é possível levantar os riscos do negócio. E essas atividades nós jornalistas desempenhamos muito bem”, diz a jornalista e autora do livro "Caiu na Rede. E Agora?".
Patrícia, que também é diretora do escritório We Plan Before, especializado em gestão de risco e de gerenciamento de crise, e da Trixe Comunicação Estratégica, que atua na área de comunicação corporativa, afirma que as redes sociais contribuíram para que as pessoas começassem a prestar mais atenção em planos de crise.
“O que se vê é que as empresas estão percebendo a necessidade de se ter um planejamento com foco nesse tipo de gestão. E isso vem refletindo nas oportunidades de trabalho dentro da área.”
Apesar disso, a executiva acredita que há um longo caminho a ser trilhado na área. “São poucas as empresas que se conscientizaram sobre a importância de se fazer um planejamento estruturado, pensando nos riscos do negócio, e num plano de prevenção para, se for o caso, executar um plano de crise. A maioria pensa, apenas, sobre o que fazer em um momento de crise, o que é errado. Daí você consegue imaginar o potencial que esse mercado traz para nós jornalistas.”
Para Patrícia, buscar conhecimento na área e se especializar é um grande diferencial para os profissionais que desejam ingressar nesse mercado. A triste notícia é que no Brasil não há um curso de pós-graduação sobre gestão de crise, segundo ela. “É preciso ler muito, buscar cursos de comunicação corporativa e de gestão de mídias digitais para ir cruzando os conteúdos e construindo o seu conhecimento.”
A especialista afirma que o país que é a maior referência em literatura, cases e cursos é os Estados Unidos. “Eles têm os melhores livres, cursos, centros de pesquisa e escritório especializado do mundo. Ainda estamos engatinhando nesse sentido.”
De acordo com a professora, atualmente poucos profissionais têm conhecimento para atuar na área com propriedade no Brasil. “Muita gente oferece o serviço de gestão de risco e de crise, mas não faz o mapeamento criteriosamente como deve ser feito, o que acaba refletindo na execução deficitária do serviço. E isso atrapalha bastante o desenvolvimento do setor.”
A remuneração de um profissional que atua na área de gestão de risco e de crise varia de R$ 200 a R$ 500 a hora. “Há muitas variáveis para determinar o tempo para execução de um projeto, mas ele sempre ultrapassa uma hora.”
Atuação deve iniciar antes de o problema acontecer
Para Patrícia, antes de se pensar na gestão de crise, é preciso iniciar um trabalho de gestão de risco. “Isso é o mais estratégico e o mais correto a ser feito. É o que eu mais gosto de fazer nesse trabalho. Para mim, uma empresa que só trabalha no gerenciamento de crise, não está preparada caso ela aconteça, justamente porque não mapeou os riscos do negócio. Se eu tiver essa base, vou saber prevenir.”
A especialista diz que na gestão de risco, o profissional investiga, estuda, analisa a empresa e entrevista executivos de diferentes áreas para levantar os riscos. “A partir do momento que eu conheço os meus riscos, eu faço uma prevenção e, com base nisso e de um trabalho de mitigação, eu vou fazer o plano de gestão numa eventual crise, que é outro processo, que precisamos contemplar as mídias tradicionais e as mídias on-line.”
Já o gerenciamento de crise, envolve fatores externos que podem influenciar o seu negócio. “Um exemplo é a greve do caminhoneiro. Eu não sei quando vai acontecer, mas se acontecer ela pode me afetar e é um fator externo difícil de se controlar. Ainda mais que nós nunca tínhamos tido uma crise dos caminhoneiros.”
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